Dom José Gislon: vir com projeto pronto seria falta de respeito a uma diocese com 85 anos de caminhada e história

A partir deste domingo a Diocese de Caxias do Sul contará com um novo bispo titular. Dom José Gislon, assume o comando a partir das 15h30 com uma celebração eucarística, que acontecerá na Catedral, com a presença de dezenas de sacerdotes e bispos de outras dioceses e Arquidiocese de Porto Alegre. Ele assume no lugar de Dom Alessandro Ruffinoni, que passa a ser bispo Emérito da Diocese, um ano após ter encaminhado seu pedido de renúncia, seguindo orientações do Vaticano. Todo o bispo ao completar 75 anos de idade é obrigado pedir renúncia, ficando a cargo da Santa Sé, o tempo para a aceitação e o envio do substituto, que pode ser alguém exercendo o episcopado ou um padre que será chamado para a ordenação episcopal.

Dom José deixa a Diocese de Erexim, a qual assumiu em 06 de junho de 2012 nomeado pelo Papa Bento XVI. É a segunda diocese que Dom José assume desde sua ordenação Episcopal, dia 03 de agosto de 2012, na igreja Nossa Senhora das Mercês em Curitiba, no Paraná. Iniciou seu ministério episcopal na Diocese de Erexim, dia 19 de agosto de 2012, na Catedral São José. Com a posse de Dom José a Diocese de Caxias passa a ter seu quinto bispo nesses 85 anos de fundação. Seus antecessores foram: Dom José Barea (1936 a 1951), Dom Benedito Zorzi (1952 a 1983), Dom Paulo Moretto (1983 a 2011) e Dom Alessandro Ruffinoni (2011 a 2019).

Em entrevista à reportagem da Rádio Miriam Caravaggio, Dom José disse que está se sentindo muito bem e sereno, pois tem em mente que como bispo, ou sacerdote, onde quer que esteja, estará sempre a serviço da igreja e do povo de Deus.  “Sempre conhecer a realidade e encontrar as pessoas, são os primeiros passos, as vezes as pessoas perguntam qual é o projeto, seria uma falta de respeito a uma igreja que já tem 85 anos de caminhada e de história, vir com projeto pronto, acho que o projeto agente constrói juntos com o povo de Deus, com o clero e com todas as forças da diocese”, adiantou. Ele ressaltou que vem com o espírito aberto para caminhar com o povo, afim de juntos traduzir para a vida e a sociedade os valores do Evangelho, por entender que essa é a missão de todos como batizados e como filhos de Deus.

Realidade

Para o novo bispo, a Diocese de Caxias do Sul tem uma marca muito forte que veio de berço dos antepassados, das famílias que aqui vieram, da cultura italiana, mas também da polonesa, alemã e outras. “Então isso foi que deu impulso a todo o contexto da Serra, essa é uma realidade, depois nós temos uma segunda realidade que apareceu nos últimos anos, que é a migração. A nossa realidade aqui da Serra, recebeu muitos migrantes de várias regiões do Rio Grande do Sul, de outros estados e países. Todo esse povo precisa ser olhado e cuidado com carinho, também é povo de Deus, que aqui chegou tentando fazer uma caminhada de vida”, citou. Dom José entende que os valores transmitidos na família, os quais defende muito, nunca se esquece. Para ele, os primeiros catequistas são os pais e os avós, ou nonos e nonas, que estão mais perto e por isso esses valores são importantes. “Eu defendo que os pais também falem de Deus para seus filhos, falem e transmitam os valores cristãos”, pediu.

Quanto a esses valores, ele disse que não podemos entrar num clima onde cada um escolhe, isso é ser negligente no sentido de transmitir valores às novas gerações, porque se não transmitir esses valores às ovas gerações, a partir da família, elas vão buscar no mundo que oferece contra valores, que segundo o bispo afeta a vida, machuca e fere a vida e a dignidade dos nossos jovens e as pessoas como um todo.

Pastorais Sociais

Dom José justificou que toda a vida da igreja parte do Evangelho, pois se olharmos para a vida de Jesus, ele teve um olhar de carinho paterno e ternura por aqueles que encontrou caídos e feridos à beira do caminho. “Toda a sociedade tem uma parcela da população que precisa de um olhar diferenciado, precisa da solidariedade e caridade. Isso é fundamental. Eu penso que quando o Evangelho toca nossa vida, nós não vivemos uma espiritualidade intimista só para nós mesmos, mas vamos também ao encontro do outro, e toda a sociedade seja onde for, sempre tem uma parcela da população que depende da solidariedade e da caridade para ter dignidade de vida. Sei que a Diocese de Caxias do Sul, tem uma marca muito grande no sentido das obras sociais que envolvem crianças, jovens e idosos, envolve tantas realidades do povo de Deus. Queremos continuar, fortalecer e fazer com que a sociedade como um todo tome conhecimento do que se faz, também como igreja, porque as vezes a gente pensa que ser povo de Deus é só ir na igreja rezar. Isso é parte da minha comunhão com eu e Deus, mas eu tenho também que ter a comunhão com eu e o outro e a realidade que está ao meu redor”, conclui.

Dom Frei José Gislon

Nasceu no dia 23 de fevereiro de 1957, no município de Dona Emma, SC. É o terceiro dos nove filhos de Vicente Gislon e Jurema Gislon.

Frequentou o serviço militar, de maio de 1976 a abril de 1977, no quartel da Polícia do Exército de Brasília.

Ingressou no Seminário Santa Maria, dos freis Capuchinhos, em Engenheiro Gutierrez, Irati, PR em 1978, onde cursou o 2º grau e postulantado.

Ingressou no noviciado em 24 de janeiro de 1981, no Convento Na. Sra. das Mercês, e emitiu os primeiros votos no dia 24 de janeiro de 1982.

Frequentou o curso de filosofia em 1982 e 1983, no Instituto de Filosofia dos Freis capuchinhos, em Ponta Grossa-PR. Concluiu a teologia no Instituto Teológico Paulo VI, em Londrina, PR. Emitiu os votos perpétuos em 24 de novembro de 1987, em Ponta Grossa.

Ordenado diácono em 24 de novembro de 1987, em Ponta Grossa. Foi ordenado sacerdote em 28 de maio de 1988, em Uraí, PR.

Fez o Curso de História da Igreja – Mestrado, na Universidade Gregoriana de Roma, de outubro de 1992 a janeiro de 1996.

Atividades exercidas

Diretor do Seminário Na. Sra. Assunção, coordenador da PV regional, Vigário paroquial, Uraí, PR; Guardião, ecônomo e mestre de aspirantes, no Convento Santo Antônio, em Almirante Tamandaré, PR; professor de História da Igreja no Studium Teológico de Curitiba, PR e no CINTEC (Centro Interdiocesano de Teologia de Cascavel, PR); Definidor Provincial, Ecônomo Provincial e local, secretário de economia, administração e serviço fraterno; Guardião e Ecônomo da Fraternidade Na. Sra. das Mercês em Curitiba, PR; Ministro Provincial da Província São Lourenço de Brindes, do Paraná,  Santa Catarina e Paraguai; Definidor Geral da Ordem; como Definidor Geral foi presidente da Comissão Internacional de Solidariedade Econômica da Ordem.

Nomeado Bispo da Diocese de Erexim, RS pelo Santo Padre o Papa Bento XVI, no dia 06 de junho de 2012.

Ordenação Episcopal, dia 03 de agosto de 2012, na igreja Na. Sra. das Mercês em Curitiba, PR.

Início de seu ministério episcopal na Diocese de Erexim, dia 19 de agosto de 2012, na Catedral São José, em Erechim, RS.

O brasão de Dom José

Escudo francês, moderno, retangular oblongo, dividido em três campos. No primeiro campo em azul, aparece a letra “M” (abreviação de Maria) envolta com doze estrelas, douradas. O azul simboliza caridade e justiça e, além disso, a grande devoção à Virgem Maria da Igreja, da Diocese e da Ordem Franciscana, a defensora da Imaculada Conceição. No segundo campo, em área vermelha para indicar a fortaleza e a decisão no agir, aparece o emblema da Ordem Franciscana, com um braço de Cristo e outro de São Francisco de Assis, em forma da cruz de Santo André, tendo as mãos estigmatizadas indicando a Ordem à qual o Bispo pertence. Na base interna, atravessando os dois campos, vê-se um livro aberto, simbolizando a Palavra de Deus e a presença de Cristo através dos tempos nas letras Alfa e Ômega (princípio e fim de tudo). O escudo é encimado por uma cruz episcopal dourada com três pontas sobre um mastro, coberta por um chapéu prelatício, do qual pendem cordões que se unem em três ordens de 1, 2 e 3 flocos, num total de 12 para os bispos, simbolizando os 12 apóstolos. E tudo em cor verde, que indica esperança, fé e amizade. Sob o escudo, uma faixa prateada, na qual aparece, em maiúsculo, o lema episcopal “IN CARITATE AMARE ET DILIGERE” (Amar e servir na caridade), o núcleo fundamental da missão do Bispo.

 

Foto: Mariana Ávila