Bispo de Porto Velho teme pela extinção de comunidades indígenas com propagação do vírus na região amazônica

O bispo da Arquidiocese de Porto Velho em Rondônia, Dom Roque Paloschi, disse que a situação está muito sofrida na região. Ele justifica que a extensão territorial é muito grande e isso dificulta o acesso dos segmentos de saúde. O bispo também relata que a situação de Manaus, uma das cidades mais atingidas no país, pode chegar às pequenas comunidades da Amazônia. Ele teme pela falta de condições da rede hospitalar, já que a estrutura, tanto privada como pública, é precária e os números não revelam a realidade na medida em que não há testes. Com isso, muitos são sepultados sem saber qual a causa da morte e a tese de que o vírus não se propagaria em regiões quentes, não prevaleceu, pois a região amazônica e o Nordeste tem mostrado essa verdade.

Para o bispo a solidariedade tem sido uma marca muito forte no combate ao vírus, que envolvem famílias, empresas, entidades, igrejas e anônimos, mas entende que é uma “gota d’agua em um oceano”, comparou. Dom Paloschi denuncia que neste momento de pandemia, a grilagem não parou na Amazônia e as comunidades indígenas seguem ameaçadas pela ocupação da terra por parte dos garimpeiros, madeireiro e agropecuaristas. Segundo ele, as ONGs tem feito o que podem, via redes sociais, denunciando para o mundo inteiro o que vem acontecendo, mas não vê qualquer ação eficaz do governo federal, para que as comunidades indígenas possam permanecer em suas terras.

A preocupação ainda é com o número de mortes por causa do vírus nas aldeias, e teme pelo desaparecimento de muitos grupos étnicos, que vivem em isolamento voluntário, mas a ocupação, com o desmatamento e as queimadas, tem reduzido o espaço desses grupos. Para ele, o vírus está chegando principalmente por três caminhos: a migração desses grupos para a cidade em busca de recursos, pelo trânsito de pessoas, já que a Amazônia é uma região em que o transporte e via fluvial, onde o vírus também transita com as embarcações e a presença de agentes públicos que trabalham na região e que involuntariamente, acabam levando o coronavírus para as aldeias.

 

Ouça a entrevista com o bispo da Arquidiocese de Porto Velho em Rondônia, Dom Roque Paloschi:

 

Foto: divulgação