Diocese de Caxias do Sul constitui Tribunal Eclesiástico para investigar suposto milagre no processo de canonização de Madre Bárbara Maix

A Diocese de Caxias do Sul constituiu nesta segunda, 14, o Tribunal Eclesiástico, que será responsável pelo processo de canonização de Madre Bárbara Maix. Composto por um juiz, um promotor, um notário e um médico perito, o tribunal vai acompanhar os depoimentos das testemunhas, sobre o suposto milagre da beata, ocorrido no distrito de Santa Lúcia do Piaí após a beatificação da religiosa, que ocorreu em 2010, em Porto Alegre.

A sessão de abertura do processo sobre a suposta cura, foi presidida pelo bispo diocesano Dom José Gislon, que ao constituir o tribunal ressaltou que é a primeira vez na história da diocese que se abre um processo de canonização. “Agente faz isso com muita alegria, é a realidade de alguém que vem dar um testemunho bonito de amor e caridade, de uma pessoa que veio de uma terra estrangeira e aqui se enculturou e assumiu a realidade dos abandonados e que estavam à margem da sociedade. Ela consumiu sua vida com o espirito de amor pela causa do Evangelho, mas pelo amor ao ser humano em nome do Evangelho”, elogiou.

A diretora geral da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, irmã Marlise Hendges, emocionada, disse que é um momento que não se tem explicação, devido a profundidade que significa para a Congregação, “é um marco para nós e o processo coincide com o momento em que estamos iniciando nosso Ano Capitular. Então ter a abertura do processo de canonização, agora, nos deixa de fato muito felizes e esperançosos de que nossa fundadora venha a ser reconhecida como santa pela igreja”, concluiu.

Caminho a percorrer

O processo começa na fase de ouvir as testemunhas e para isso não tem prazo para terminar. Só depois de finalizado no período diocesano é que a documentação será encaminhada para a Congregação da Causa dos Santos, no Vaticano. Lá uma equipe analisa do ponto de vista espiritual e científico, os depoimentos das testemunhas. Ela dará parecer final, reconhecendo ou não o milagre. Reconhecido, a documentação chegará ao Colégio dos Cardeais, para o aposició sobre a aceitação da causa e do milagre. Depois de concluir essa etapa, tudo chegará às mãos do papa para ser publicado e dar início ao processo final e encaminhamento da canonização. Para isso, não existe um prazo, o caminho é longo e tudo vai depender do tempo que demorar na fase dos depoimentos, assim como nas análises da Congregação da Causa dos Santos e do Colégio dos Cardeais.

Seguindo a ordem da Igreja Católica Apostólica Romana, o processo requer no mínimo um milagre para beatificação e um novo milagre, ou seja, um ato de cura sem explicação para a medicina, para chegar a santidade.

Suposto Milagre

No caso da Madre Bárbara Maix, o tribunal vai investigar um fato ocorrido no distrito de Santa Lúcia do Piaí, em Caxias do Sul. Serão ouvidas as testemunhas, as pessoas que estiveram mais próximas e que podem dizer o que aconteceu, para atribuir a “cura”. O suposto milagre teria acontecido no dia 15 de dezembro de 2018 na “cura” de uma mulher de 62 anos, que sofreu queimaduras de 2° e 3º grau, enquanto trabalhava na produção de sabão. A família se uniu em oração e o sacerdote moveu a comunidade em oração e solidariedade por essa senhora e essa família. Em poucos dias ela ficou completamente curada.

Foi também em Santa Lúcia do Piaí que em 1944, aconteceu a cura do então menino Onorino Ecker. Com quatro anos, ele teve o corpo completamente queimado após ter derramado sobre seu corpo água fervente, cair nas brasas e respirar o vapor. Após investigação da Igreja, foi comprovada a cura do menino após 15 dias. Este foi o milagre aprovado pelo Vaticano para a beatificação da religiosa.

Madre Bárbara Maix

Nascida na Áustria em 1818, Madre Bárbara Maix tornou-se a primeira mulher beatificada, no Rio Grande do Sul. Perseguida em Viena, pela sua opção de vida religiosa, mudou-se para o Brasil, em 1848. No ano seguinte, na cidade do Rio de Janeiro, fundou a Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria. Viveu no Brasil por 25 anos, dos quais, 11 no Rio de Janeiro. Viveu e trabalhou por 14 anos em Porto Alegre. Faleceu em 17 de março de 1873, no Rio de Janeiro.

 

Foto: José Theodoro