Dom Alessandro Ruffinoni comenta sobre processo de renúncia e afirma que novo bispo deve ser anunciado em maio

O bispo diocesano de Caxias do Sul, Dom Alessandro Ruffinoni, deixará o seu posto neste ano. De acordo com Código de Direito Canônico, quando um bispo completa 75 anos, ele deve encaminhar uma carta ao Papa pedindo a renúncia do cargo. Ruffinoni completou essa idade em agosto do ano passado. Ele assumiu o comando da Diocese no ano de 2010, estando há nove anos nessa função.

Na manhã desta quinta-feira, o bispo esteve participando da celebração de Benção dos Óleos, Instituição do Sacerdócio e da Eucaristia, no Santuário de Caravaggio. Na ocasião, ele conversou com a rádio Miriam Caravaggio e relatou como está o processo de renúncia e escolha do novo bispo, como foram seus anos de trabalhos junto à Diocese de Caxias do Sul e o que ele fará após sua saída do cargo. Acompanhe a entrevista:

 

Dom Alessandro, está é a última celebração em Caravaggio como bispo da Diocese ou tu pretendes estar como bispo participando da Romaria?

No sermão eu disse que, sem dúvida, essa é a última Quinta-Feira Santa que celebro como bispo titular. Isso não quer dizer que eu não celebre mais, porque uma das possibilidades é trabalhar no Santuário. Poderia trabalhar como padre, como ajudante do reitor para atender bem o pessoal que chega para aconselhar, para celebrar aqui com o nosso povo. Ou posso ir para outras paróquias que precisam de uma ajuda. Não sei ainda onde eu vou. Estou esperando o novo bispo para eu combinar e decidir. Até que eu tiver saúde eu quero continuar trabalhando, trabalhando na simplicidade e, sem dúvida, com muita alegria. Uma coisa a menos, sem dúvida, que eu terei é tomar decisões, às vezes duras, às vezes difíceis, que desgastam um pouco a emoção, o coração da gente. Então terei mais liberdade de servir com alegria o nosso povo.

 

Tu estás em um processo de renúncia, no momento em que o bispo completa 75 anos, há obrigatoriamente uma renúncia e aí se decide para onde vai. Como está esse processo?

Agora estou esperando. A renúncia já foi aceita. Porém o Papa disse: “Continua até que vier o novo bispo”. Então estou continuando até que chegue o novo bispo. Quando vier a nomeação, então termina o meu papel de comando, se assim se pode dizer, de serviço mais direto da Diocese. Eu continuarei bispo, porém não mais dirigindo a Diocese. Caberá ao novo bispo assumir essa responsabilidade.

 

Há pessoas falando sobre alguns nomes, mas não há como saber ainda quem será o novo bispo. Quando as pessoas vão saber, há data?

Fazer nomes agora é pura fantasia. Eu não sei, sinceramente, eu não sei. Sei que vai vir alguém, mas não sei quem e nem quando exatamente. Provavelmente pode ser no mês de maio. O mais tardar, o mês de junho. Quem é? Não sei. Só o Espirito Santo e o Papa que vão escolher, através de uma pesquisa que foi feita. Foi feito uma pesquisa entre os bispos do Rio Grande do Sul, os quais indicaram nomes, cada bispo indicou três nomes. Agora, cabe a uma equipe lá em Roma que examine e o Papa vai escolher um daqueles que foram apresentados como o possível bispo de Caxias do Sul. Então, fazer nomes é pura imaginação por enquanto. Não tem nomes. Só se alguém tem o telefone do Papa, que o Papa informou. A mim não me informou. Eu, sem dúvida, vou saber, ao mínimo, uma semana antes vou saber quem vai ser. Antes de ser publicado. Então, um dos primeiros a saber serei eu e não outras pessoas.

 

Como foi estar à frente da Diocese, nestes anos em que tu esteve, e o que tu esperas que seja feito ainda pela Diocese nesses próximos anos, com o próximo bispo que assumirá?

São nove anos que estou na frente dessa Diocese. São anos de muito trabalho, de muita responsabilidade, tivemos algumas dificuldades, mas sobretudo tivemos muitas alegrias por parte do nosso povo, por parte da colaboração de muitos dos nossos padres, porque quem leva adiante à Diocese não é tanto o bispo, o bispo anima a Diocese, anima os projetos, apoia, mas quem propõe são os padres e os leigos que propõe os trabalhos, os projetos, e o bispo apoia, anima, divulga nas suas visitas pastorais, nas visitas de Crisma. Então, eu tive muita alegria, sobretudo na visita pastoral, a coisa mais bonita que eu posso dizer é que, nos últimos anos, a visita pastoral [foi feira] em mais de 973 comunidades da nossa Diocese.

 

Ouça a entrevista com o bispo diocesano de Caxias do Sul, Dom Alessandro Ruffinoni:

 

Foto: Mirna Messinger