Dom Alessandro: saio com alegria e gratidão a Deus e ao povo da Diocese de Caxias do Sul

No próximo domingo, quando ocorrer a benção final da missa na Catedral Santa Teresa D’Avila, em Caxias do Sul, por volta de 17h, Dom Alessandro Ruffinoni, estará encerrando seus trabalhos pastorais como bispo titular da Diocese de Caxias do Sul e passa a ser bispo Emérito. Desde o anúncio do Vaticano, em 26 de junho, da aceitação de seu pedido de renúncia, ele assumiu o cargo de Administrador Apostólico até a posse do novo titular, Dom José Gislon, que será neste domingo, 08 de setembro. Em entrevista à reportagem da Rádio Miriam Caravaggio, na manhã desta quarta-feira, 04, o bispo falou de seus sentimentos enquanto sacerdote, da acolhida que teve na diocese e seu futuro. Todavia, o bispo deixa o cargo com a sensação de que poderia ter criado a Escola Permanente do Diaconato.

“Deixo a Diocese de Caxias do Sul, com um sentimento de muita alegria, terminei mais uma etapa de minha vida, sentimento de gratidão a Deus e ao povo da Diocese. Estou saindo disposto,  humorado, não desejo ficar um dia a mais, porque cada um tem o seu papel, sua missão, tem um limite que a igreja pede, 75 anos, fiquei um ano a mais, tenho 76, agradeço a Deus por esses nove anos que passei aqui e agora começa para mim, uma nova etapa, sempre serei bispo, mas agora à serviço da igreja, onde Deus quiser e aquilo que puder fazer para o bem de Deus”, disse.

Dom Alessandro deve seguir seu caminho pastoral em Nova Prata, Santuário de Caravaggio, ou uma missão à serviço da sua Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos), cujo carisma é trabalhar com as imigrações. Ele vai aguardar até o mês de outubro, qual será seu destino. Enquanto isso, após entregar o cargo no próximo domingo, irá passar um período de férias em sua terra natal, a Itália, “depois estou indo com alegria para ajudar a igreja”, acrescenta.

O bispo deixa a diocese dizendo que nem tudo o que gostaria de fazer foi possível, cita como exemplo, a Escola Permanente do Diaconato. No entanto entende que se é a vontade de Deus, isso irá acontecer um dia. Ele disse que por outro lado sempre procurou apoiar o plano pastoral que o Conselho e as assembleias pastorais determinaram, com divulgação nas capelas, paróquias, “mais do que o meu projeto, mas aquilo que a diocese decidiu”, conclui.

Em relação a sua vida religiosa, disse que sempre esteve feliz de ser padre e neste momento, não está chorando o fato de se tornar bispo Emérito, alegando que ainda pode trabalhar como padre, ou bispo, com a certeza que se sentirá muito realizado. Dom Alessandro lembra que teve muito apoio e carinho por parte do povo diocesano, quando também lembra das dificuldades na execução do trabalho pastoral, mas tem a esperança de poder trabalhar um pouco mais, se tiver saúde e manter a atual disposição, “ quero continuar trabalhando, o importante não é o cargo, mas o serviço a ser feito em nome da humildade, do amor, é isso que eu peço a Deus todos os dias, que eu possa ser útil, onde ele quer. Qualquer trabalho na simplicidade, tendo agora um pouco mais de tempo, quem sabe a gente dedique mais para a oração, leitura e ajudando pastoralmente as coisas simples de uma paróquia, uma novena, uma crisma, uma ajuda ao padre. Vim para o Brasil como missionário e quero morrer como missionário, onde Deus quiser”, finaliza.

Biografia

Nascido na província de Bérgamo, quarto filho de cinco irmãos do casal: Giovanni Ruffinoni e Maria Arrigoni. Fez seus estudos na Itália, em Rezzato e Cermenate, onde se tornou religioso da Congregação dos Missionários de São Carlos, aos 2 de outubro de 1961, em Crespano del Grappa.

Recebeu a ordenação sacerdotal aos 8 de março de 1970 em Bassano del Grappa, na província de Vicenza, e veio para o Brasil em novembro de 1970. Trabalhou como formador nos Seminários das cidades de Casca, nos anos de 1971 a 1978; e de Guaporé, nos anos de 1979 a 1981. Em 1982 foi transferido para Porto Alegre, no CIBAI, e atuou até 1984 como pároco da Paróquia Nossa Senhora da Pompéia. Em 1984 voltou à formação como animador vocacional, na cidade de Guaporé, até 1987.

 Missionário no Paraguai

Em 1988 deixou o Brasil para iniciar uma nova experiência missionária no Paraguai, na localidade de Ciudad del Este, onde atuou como formador e diretor do Centro Missionero P. Luigi Valtulini. Neste período foi por duas vezes vigário geral da Diocese de Ciudad del Este, em 1992 e em 1998. Em 1999 voltou para o Brasil como superior provincial da província São Pedro, residindo em Porto Alegre até o ano de 2004.

Em 2005 foi destinado para Assunção, onde trabalhou na Arquidiocese como coordenador da Pastoral dos Migrantes, até a nomeação de bispo.

Episcopado

Em 18 de janeiro de 2006 foi nomeado pelo Papa Bento XVI, como Bispo Auxiliar de Porto Alegre , com o título episcopal de Fornos Maior. Foi ordenado, aos 127 de maio de 2006 na Catedral Metropolitana de Porto Alegre. Como Bispo Auxiliar de Porto Alegre , recebeu o cargo de vigário episcopal do Vicariato de Gravataí, no dia 2 de abril de 2006. No regional Sul-3 da CNBB foi responsável pelas Pastorais Sociais e bispo referencial da Pastoral dos Migrantes, de 2007 a 2011.

Desde maio de 2007 a maio de 2011 foi o bispo responsável a nível nacional na CNBB pela Pastoral dos Brasileiros no Exterior. Recebeu no dia 10 de dezembro de 2008 a Medalha do Mérito Farroupilha, outorgada pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Em agosto de 2009 presidiu as celebrações da Peregrinação Internacional dos Migrantes, no Santuário de Fátima, em Portugal. Visitou também os católicos brasileiros em Boston, nos Estados Unidos. Neste mesmo ano foi nomeado coordenador da Comissão Central do Centenário da criação da Arquidiocese de Porto Alegre.

Em 16 de junho de 2010 o Papa Bento XVI nomeou-o bispo coadjutor da Diocese de Caxias do Sul, também no Rio Grande do Sul. A solenidade de posse foi realizada no dia 8 de agosto desse mesmo ano, na Catedral de Santa Teresa.

No dia 6 de junho de 2011 o Papa Bento XVI aceitou o pedido de renúncia de Dom Paulo Moretto, fazendo suceder diretamente, por ser Bispos Coadjutor de Caxias do Sul, a Dom Alessandro, tornando-se assim o quarto bispo da Diocese de Caxias do Sul.

Aos 29 de setembro de 2012, Bento XVI o nomeou membro do Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes. No dia 26 de junho de 2019, o Papa Francisco acolheu seu pedido de renúncia da Diocese de Caxias do Sul, por limite de idade, nomeando para o seu lugar o bispo Dom Frei José Gislon, da Ordem dos Frades Menores capuchinhos, transferindo-o da Diocese de Erexim.

 

Foto: José Theodoro