Falta de 29 professores na rede estadual de ensino de Farroupilha prejudica estudantes

As escolas estaduais da Serra gaúcha estão passando por um momento difícil desde início do ano letivo 2019: a falta de professores. Na última sexta-feira, dia 22, a rádio Miriam Caravaggio fez um levantamento com as instituições estaduais de Farroupilha e obteve o dado de que faltam 29 professores. Há escolas que estão com os alunos desatendidos em diversas disciplinas.

Um dos casos mais complicados é o da escola Julio Mangoni, na Vila Jansen, onde faltam seis profissionais da educação. A diretora, Fernanda Piletti, relata que a situação mais grave está nas séries inicias, pois o 1°, 2° 3° e 4° ano estão sem atendimento. Para que os alunos não fiquem sem aula, a escola está se organizando para que os funcionários possam atender as salas de aula, o que acaba prejudicando o trabalho organizacional feito pela secretaria. “Nós estávamos tentando suprir essa demanda com os funcionários da secretaria, vice-diretor, coordenador, todo mundo estava tentando ajudar para que eles não ficassem sem aula, só que está se tornando inviável, porque tem todo o outro trabalho burocrático de secretaria para ser feito”, salienta a Fernanda.

A diretora ainda informa que faltam professores de história, geografia e química. Para estas disciplinas, também está sendo feito um trabalho de revezamento entre os professores. “A gente vêm subindo a escada para chegar na escola e as crianças vêm nos perguntar: quem é que vai dar aula para a gente hoje? Porque cada dia é uma pessoa diferente que está dando aula para eles, e eles também ficam prejudicados com essa situação”, comenta. Para se ter uma ideia, já houve dias em que os estudantes tiveram que ficar em casa, pois não haviam professores disponíveis para dar aula.

Outra instituição estadual de Farroupilha que também está com defasagem no número de docentes é a escola Olga Ramos Brentano, localizada no bairro 1° de Maio. A diretora, Márcia Garcia, relatou que faltam professores nas disciplinas de artes, educação física, português, literatura, matemática, física, geografia, filosofia e sociologia. Embora sejam nove o número de áreas desatendidas, a diretora informa que sete profissionais seriam suficientes para atender à necessidade. Uma realidade comum nessas situações é que professores com uma determinada formação acabam ministrando aulas em diferentes campos de ensino.

Com o quadro de professores incompleto, as instituições têm que trabalhar com uma realidade diferente todos os dias. A diretora Márcia expõe que a escola está tendo que buscar formas de ocupar o aluno ou flexibilizar o horário dos estudantes. “Em alguns dias os alunos chegam mais tarde e saem mais cedo ou ficam na escola jogando bola, fazendo alguma atividade que a escola pode proporcionar. Sim, em alguns casos nós não temos professor em nenhum no turno”, explica.

Diante disso, a diretora relata que os alunos estão inquietos, principalmente os do terceiro ano que nos próximos meses irão realizar a prova do Enem. Inconformados, os estudantes pretendem realizar nesta terça-feira, dia 26, pela parte da manhã, um ato público, uma manifestação, buscando chamar a atenção da comunidade e autoridades para a situação.

De acordo com a coordenadora da 4ª Coordenadoria Regional de Educação (4ª CRE), Janice Moraes, a cidade de Farroupilha é uma das mais afetadas pela falta de professores. Neste momento, a 4ª CRE está fazendo um levantamento e organizando as planilhas que mostram o quadro de profissionais nas escolas, analisando cada caso individualmente. A coordenadora relata que a solução imediata é fazer esse estudo para verificar se as instituições possuem profissionais disponíveis em biblioteca ou secretaria que possam atender os alunos. Se houver, esses são convidados a assumir a demanda das escolas.

Caso os cargos não sejam preenchidos, é feita a contratação de novos professores. Segundo Janice, esse processo leva mais tempo até que o profissional, de fato, assuma a sala de aula. Um edital para novos contratos foi aberto em janeiro, mas os docentes só serão chamados se não houver preenchimento de todas as vagas com os profissionais que já atuam nas escolas, dentro das áreas de biblioteca ou secretaria.

A coordenadora ainda comentou sobre a diminuição do número de professores, o que acaba agravando o quadro. “A cada dia eu assino, em média, quatro ou cinco dispensas. Elas trocam de emprego, elas são nomeadas em uma outra rede, elas vão para outra cidade ou elas entram em dispensa saúde, tem vários fatores de afastamento também. Então a situação é séria, nós estamos preocupados sim e estamos trabalhando sim. Entendemos a preocupação dos pais e não estamos tranquilos não. Estamos fazendo de tudo para que isso se resolva o mais rápido possível”, relatou Janice.

 

Confira quantos professores faltam em cada escola estadual de Farroupilha:

Carlos Fetter – 3 professores
São Tiago – 4 professores
Estadual Farroupilha – 1 professor
Izabel Venzon – 1 professor
José Fanton – 3 professores
Júlio Mangoni – 6 professores
Olga Ramos Brentano – 7 professores
Padre Rui Lorenzi – completo
São Pio X – 2 professores
Vivian Maggioni – 2 professores

 

Confira a matéria especial sobre a falta de professores na rede estadual de ensino de Farroupilha:

 

Foto: Rosane Verona