UCS se prepara para inaugurar primeira fábrica de Grafeno da América Latina

Uma comitiva da Universidade de Caxias do Sul (UCS) estará nesta quarta-feira, 12, em Brasília para convidar o presidente Jair Bolsonaro para a inauguração da fábrica de grafeno. Além do reitor da UCS, Evaldo Kuiava, também irão a capital federal, o presidente da Fundação Universidade de Caxias do Sul, José Quadros dos Santos, o presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços, Ivanir Gasperin e o prefeito, Flávio Cassina.

O pesquisador Konstantin Novoselov, que venceu o Nobel de Física de 2010 pelo isolamento do grafeno deve  estar na inauguração da fábrica. O ato deve ocorrer no mês de março. O reitor Evaldo Kuiava, destaca que o projeto do grafeno fará de Caxias do Sul a cidade sede da primeira fábrica de grafeno da América Latina, com capacidade produtiva de 500 quilos do produto ao ano.

Ele adianta que já há projeto pronto para ampliar a produção de para  cinco mil quilos ano. “Caxias pode fazer parte de um seleto grupo de cidades do mundo que investe em tecnologia de ponta. Estamos na fronteira do conhecimento na área de estudos sobre o grafeno, o que significa uma possibilidade de evolução que pode representar uma nova evolução industrial em nível mundial”, defendeu o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UCS, Juliano Gimenez.

A transformação dos resultados das pesquisas da UCS sobre o grafeno em soluções para o mercado já conta com termos de cooperação técnico-científica firmados pela instituição com as empresas Marcopolo e 2D Materials (com sede em Singapura, que detém expertise na produção do material) com o objetivo de permitir a contratação e o desenvolvimento de pesquisas, projetos e serviços técnicos e tecnológicos em materiais avançados, especialmente o grafeno. O acordo tem validade de cinco anos. Além do convênio com as empresas, a UCS também conta com um acordo de cooperação com a Universidade Mackenzie, de São Paulo, para capacitação de pessoas e projetos de pesquisa avançada sobre o grafeno.

 

SOBRE O GRAFENO

O grafeno é uma das formas alotrópicas do carbono, assim como o diamante, o carvão e o grafite, do qual é oriundo, caracterizando-se pela organização hexagonal dos átomos. Foi isolado pela primeira vez em 2004, na Inglaterra, pelos cientistas Andre K. Geim e Konstantin S. Novoselov, em uma pesquisa que ganhou o Prêmio Nobel de Física.

– Caracteriza-se por ser um material de elevada transparência, leve, maleável, resistente ao impacto e à flexão, ótimo condutor térmico e elétrico, entre outras propriedades.

– O grafeno é o material mais leve e forte do mundo (200 vezes mais resistente do que o aço), superando até mesmo o diamante. Uma folha de grafeno de 1 metro quadrado pesa 0,0077 gramas e é capaz de suportar até 4 kg.

– Também é o material mais fino que existe (da espessura de um átomo, ou 1 milhão de vezes menor que um fio de cabelo).

– Possui, ainda, elevadíssima condutividade elétrica, uma vez que os elétrons se movem através do grafeno praticamente sem nenhuma resistência e aparentemente sem massa.

– Por ser uma tecnologia disruptiva, o grafeno tende a competir com tecnologias existentes e substituir materiais com décadas de uso. Seu uso permitirá desenvolver novos materiais, com alta resistência mecânica, capacidade de transmissão de dados e economia de energia.

– Como material de alta engenharia, destaca-se o emprego em nanotecnologia, na produção de telas e displays LCD e touchscreens de televisores, computadores e celulares, mais resistentes e flexíveis; componentes eletrônicos com altíssima capacidade de armazenamento e processamento de dados; e baterias de recarga instantânea, entre outras aplicações.

 

Ouça entrevista com o reitor da UCS Evaldo Kuiava:

 

Foto: UCS-divulgação