Presidente do Conselho da Associação Brasileira de Proteína Animal diz que coragem do setor garantiu crescimento nas exportações

O Presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra disse que o crescimento nas exportações brasileiras de carne de frango em 5,7% de janeiro a abril deste ano em relação ao ano passado, deve-se a coragem do setor de enfrentar a “demonização” que foi feita dos frigoríficos durante a pandemia. “Dava a impressão que o Covid nasceu dentro dos frigoríficos”, lembra.

Outro aspecto segundo Turra foi a abertura de mercados, que fez o Brasil encontrar alternativas diante da retração nos países em que tradicionalmente o Brasil era fornecedor. Ele ressalta porém, que o que está evitando no momento maior crescimento é o preço dos insumos, que inibem a produção.

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 418,2 mil toneladas em abril. Segundo a ABPA, o volume é de 5,7% superior ao registrado no mesmo período de 2021, quando foram exportadas 395,7 mil toneladas.

Em receita, o resultado dos embarques do período gerou US$ 821 milhões, número 34,6% maior que o desempenho alcançado em abril do ano passado, com US$ 610 milhões. De janeiro a abril, as vendas internacionais de carne de frango alcançaram 1,560 milhão de toneladas, resultado 9% maior que o registrado nos quatro primeiros meses de 2021, com 1,432 milhão de toneladas. Em receita, os negócios no período cresceram 32,4%, com US$ 2,872 bilhões contra US$ 2,169 bilhões no ano passado.

Os principais importadores dos produtos brasileiros no quadrimestre, foram a China, com 197,1 mil toneladas (-3%), Emirados Árabes Unidos, com 164,4 mil toneladas (+80,4%), Japão, com 132,4 mil toneladas (+0,3%), África do Sul, com 119,8 mil toneladas (+14,3%), Arábia Saudita, com 87,2 mil toneladas (-45,4%), União Europeia, com 71,7 mil toneladas (+27,8%), e México, com 58,5 mil toneladas (+128,6%).

O presidente da ABPA Ricardo Santin, disse que o crescimento generalizado entre os grandes importadores do Oriente Médio, Ásia e Europa, que compensou leves retrações na China e impulsionou o bom resultado alcançado em abril. Os impactos gerados pela Influenza Aviária em grandes produtores e exportadores favoreceram o Brasil no comércio global, já que o país nunca registrou focos da enfermidade. A forte elevação dos custos de produção e a alta dos preços dos alimentos em âmbito global também influenciaram o resultado cambial das exportações, minimizando as dificuldades enfrentadas pelo setor.

O Rio Grande do Sul, assim como o Brasil, o Estado também registrou crescimento em volume e receita de exportações de carne de frango no primeiro trimestre deste ano. O volume embarcado registrou 173,17 mil toneladas, aumento de 7,01 % em relação aos embarques registrados nos três primeiros meses de 2021, que foram de 161,82 mil toneladas. O saldo em dólares das exportações no mesmo período foi de US$ 313,82 milhões. O valor é 23,54% maior que o registrado entre janeiro e março do ano passado, que foi de US$ 254,01 milhões.

Os embarques gaúchos em março alcançaram 65,34 mil toneladas, alta de 1,19% em relação ao volume exportado no mesmo período do ano anterior, que registrou 64,57 mil toneladas. O saldo em dólares das exportações foi de US$ 124,42 milhões. O número é 18,51% superior ao obtido no terceiro mês de 2021, quando registrou US$ 104,99 milhões.

Ouça a entrevista com Francisco Turra:

 

Foto: Divulgação ABP