Aqui é Meu Lar desse sábado conversa com Daniela Menti proprietária do empreendimento rural Casa Piemont
A Miriam Caravaggio 95.7 FM, veicula neste sábado, 26, o nono programa “Aqui é Meu Lar”, com o tema “Essas Mulheres”, que trata do protagonismo feminino na agricultura e aborda o trabalho da mulher no interior, com sua visão empreendedora, capacidade de gestão, as dificuldades e os avanços diante de uma sociedade conservadora e preconceituosa. O destaque da entrevista dessa edição é Daniela Menti, moradora da Linha Boêmios, 4º Distrito de Farroupilha. Uma professora com origens na agricultura e empreendedora no ramo de espaços de entretenimentos, com a Casa Piemont.
Daniela nasceu na Linha Boêmios, filha única de Gilmar e Vera Menti. Com 29 anos de idade, sempre morou com os pais, embora tenha residido por algum tempo na Irlanda, Londres e Itália para estudar. No velho mundo conheceu o universo dos eventos e vários locais com características da casa a qual administra. Desde muito jovem é professora de língua inglesa e, após ter morado na Itália, passou também a ministrar aulas de italiano, atualmente no Círculo Cultural Ítalo-Brasileiro de Farroupilha. Consta também em sua trajetória, trabalho em uma empresa de calçados em seu primeiro emprego, porém, a vocação sempre foi voltada à sala de aula, por acreditar que é um espaço ideal para servir e passar conhecimentos, como propósito. Para ela são atividades que andam lado a lado, sala de aula e o trabalho que desenvolve na Casa Piemont.
Apesar de ter morado fora do país, Daniela nunca deixou a casa dos pais. A casa paterna fica em outra área próxima do local onde está a Piemont. Na mesma propriedade, apesar de aposentados eles trabalham com avicultura e no passado produziam mudas em grande quantidade. A propriedade onde está o empreendimento foi adquirida pela família em 2007 e traz uma história peculiar, não foi construída por italianos, como é tradicional na região. É obra da família Fischer que chegou no local em 1872, migrante da região da Boémia na República Tcheca, que ergueu a primeira parte do imóvel, construído com pedra. Por ser anterior à imigração italiana, Daniela acredita que seja a casa mais antiga de Farroupilha.
Posteriormente à família Fischer, a casa teve outros proprietários e foi expandida na sua estrutura de pedra, pelas famílias Dietrich e mais tarde Zanella, que em épocas diferentes residiram no imóvel. Daniela revela que a edificação já esteve no radar da destruição. Ela conheceu com profundidade a história da casa a partir do seu Mestrado, quando a tese versou sobre a imigração italiana. Nessa pesquisa, relatos confirmam ter sido os Fischer, a construir e os primeiros a habitar na morada, que também já foi salão de baile e pousada para os tropeiros que vinham de São Sebastião do Caí, em viagens aos Campos de Cima da Serra.
“Os tropeiros seguiam para os Campos de Cima da Serra passando pela cidade de Caxias do Sul, que na época chamava-se Campos dos Bugres (até 1877), Colônia de Caxias (de 1877 a 1884) e posteriormente Vila de Santa Tereza de Caxias, que em 1890 se desmembra de São Sebastião do Cai e tornando-se município. Porém, em 1º de junho de 1910, a Vila de Santa Tereza é elevada a condição de cidade de Caxias. Na década de 40, acrescenta-se a palavra Sul, para diferenciar de Caxias, uma cidade do Maranhão, ficando assim o nome definitivo de Caxias do Sul.”
Nas pesquisas, Daniela descobriu ainda que a casa, possivelmente, teria servido também para a primeira igreja da região. Essa afirmação encontra respaldo na construção das portas com formação de arcos, uma característica das capelas romanas da época. Era tradição construir a segunda capela ao lado da primeira, para que as pessoas percebessem que ali havia uma igreja. Prova disso é que em 1921 foi construída a atual capela de Nossa Senhora Auxiliadora, padroeira de Linha Boêmios, há poucos metros da Casa Piemont. Daniela se emociona ao relatar que recentemente foi resgatada a tradição de realizar casamentos na capela, culminando com a festa no seu espaço.
Diante da importância histórica do imóvel e por ser propriedade da família, o destino da casa não poderia ser outro. A jovem empreendedora sempre gostou de história e com o Mestrado na Feevale, o desfecho não poderia ter sido outro, transformar o local em um espaço para eventos, mantendo suas características. Mesmo sem ter a experiência desse tipo de negócio, ela contou com seus conhecimentos na elaboração de projetos, o que acabou favorecendo para criar sua empresa. “Também trabalhei com gestão de projetos e tudo é um projeto, desde uma empresa, bater metas, trabalhar com casamento, por exemplo, tudo é um projeto, assim como o início da conversa com o cliente, alinhamento da expectativas até no final, trabalhar com fornecedor e fazer todo esse caminho. No meu caso, um sonho, similar ao dar aulas, trabalhar com expectativas, para poder entregar um sonho no final. Então tudo andou sempre junto”, comemora.
Daniela não esconde que tem paixão por peças, objetos e edificações antigas. Foi com esse espírito que “bateu pé” e defendeu que a casa não fosse derrubada, como havia previsão. “A minha família sabe, quem me conhece sabe, que eu não deixo nada que é antigo ser destruído, eu entro em estado de pânico. A ideia sempre foi na verdade, ‘ah! coisa velha, vamos se desfazer’”, conta. Ela também relata que, por várias vezes, a casa foi saqueada com o furto de dezenas de móveis antigos da década de 40, material difícil de encontrar nos dias atuais. Ela lamenta que muitas peças foram se perdendo com o tempo, embora comemora o fato de ter conseguindo salvar algumas raridades, como cabeceira de cama e móveis que estão no restauro e em breve farão parte da decoração da casa.
Revela que há poucos dias entrou em ação em defesa das portas da antiga igreja, que estavam na lista de serem queimadas. Ela protestou e tem a esperança que essas esquadrias não tenham o mesmo destino de outras tantas que representavam a história. “Poder salvar esse material acho que é uma missão para mim. Bom, a minha casa é o encontro de coisas antigas guardadas, eu tenho uma paixão por isso, eu amo visitar museus eu me dedico muito tempo a toda essa parte de acervo de material. Você tocar no objeto, sentir a história, a memória que tem por trás, eu acho que é algo que a gente não consegue botar um valor em cima disso”, calcula.
Inicialmente Daniela pretendia residir na casa, pois seu sonho é morar em uma casa centenária, mas naquele momento começou a observar a possibilidade de destinar o local para evento. Mas aí precisava dar formato ao empreendimento, primeiro passo foi pensar na arquitetura. Tal missão coube ao Escritório do Marcos Paulo Zanco, que ouviu os anseios de Daniela e projetou o imóvel para sua devida função. Ela elogia a solicitude do engenheiro em captar suas ideias “malucas”. Após foi dado encaminhamento ao processo burocrático, como licença ambiental e outros itens que envolveram a prefeitura, por final a reforma. Hoje é um espaço com áreas externas para cerimônias ao ar livre, com uma privilegiada vista para o pôr do sol. Para o futuro o serviço será ampliado com o aproveitamento de um terreno ao lado onde será construído um jardim remetente ao sul da Itália e um local para hospedagem. Outras funções serão desenvolvidas na casa, mas a proprietária prefere mantê-las em sigilo até o anúncio oficial do projeto.
Dar início ao empreendimento foi muito difícil para a ela que precisou contar com o apoio dos pais, a quem agradece. Teve que vencer barreiras, pois por se tratar de uma proposta nova e em uma comunidade pequena e totalmente rural, surgiram muitos comentários negacionistas a respeito de um negócio onde o público é reduzido. “Tipo, quem vai vir ali?”, conta. Mas ela se impôs, pois entende que é comum em determinadas situações a mulher não ter o respeito devido. “Tem que se impor bastante, eu costumo dizer que a gente precisa se impor três vezes mais, para ser levada a sério. Chamaram de maluca, aquela maluca lá nesse negócio que não tem o que fazer. Tem como fazer sim, é só sentar e planejar que dá para fazer. A gente ouve e deixa passar, se posiciona e as vezes tem que ser mais assertivo, depois é só agradecer. Sempre vai ter uma crítica negativa, mas faz parte do jogo”, avalia.
Por fim, Daniela usa o exemplo das grandes mulheres empreendedoras de Farroupilha, mulheres que estão começando seu negócio, algumas que largaram do emprego para iniciar sua empresa. “A gente ouve muito disso, como é empreender ao lado do marido? Nem sempre o marido está nessa história. No meu caso não, eu sou sozinha e acho que o mérito de empreender tem que ser da mulher, ela tem essa parte de puxar para frente. A mulher tem muito caminho ainda pela frente, precisa mudar, principalmente a questão de ver a mulher como um item secundário. Eu vejo nos eventos, pelo menos 95% dos fornecedores são mulheres, elas que administram os negócios e puxam à frente e as vezes é uma empresa de uma pessoa só, é ela quem faz todo o trabalho”, reconhece.
AQUI É MEU LAR
É um projeto da Miriam Caravaggio 95.7 FM, que propõe aproximar ainda mais a emissora do interior de Farroupilha. Constitui-se em uma proposta específica que envolve esses moradores, com abrangência no município. “Aqui é Meu Lar”, visa discutir a sucessão rural, o protagonismo feminino na agricultura, as condições dos nossos agricultores, envolvimento com as comunidades, o cooperativismo e as políticas públicas e seus direitos.
O programa está em sua quarta edição e é veiculado nos meses de outubro, novembro e dezembro, aos sábados, às 10 horas, na sintonia 95.7 FM, site e aplicativo. A produção e captação do conteúdo, imagens, áudios e vídeos, incluem uma peregrinação semanal pelo interior para conversar com as famílias. Cada ano é definido um tema, em 2019 “Sucessão Rural”, 2020 “O envolvimento das famílias com as comunidades do Interior”, 2021 “Cooperativados: uma relação mútua” e 2022 “O protagonismo feminino na agricultura. Essas Mulheres”.
Confira as fotos da propriedade de Daniela Menti:
Daniela faz o convite para acompanhar o programa:
OUÇA O PROGRAMA COMPLETO – 26/11/2022
PATROCINADORES
IMOBILIÁRIA HELENA IMÓVEIS – onde você encontra os melhores imóveis da cidade. Rua Júlio de Castilhos, 478. Telefone (54) 3412 2220 ou 99972 6972.
INF LATINO AMERICANA – atua nas indústrias de álcool de combustíveis e potável, açúcar, cerveja, sucos e nutrição através da Kera. Telefone (54) 2521 3124.
LIVRARIA E PAPELARIA PARANÁ – livros, brinquedos, material de escritório e tudo em material escolar. Rua Júlio de Castilhos, 734, em Farroupilha. Telefone 3261 3667.
COOPERVIL – completa linha de insumos e defensivos agrícolas para a agricultura com orientação técnica. Rua Egídio Zamboni, 277. Telefone 3268 9373.
COSTI COMÉRCIO DE TINTAS – tradição e qualidade em tintas. Rua Júlio de Castilhos, 593, em Farroupilha. Telefone 3268 3681
COOPERATIVA NOVA ALIANÇA – da terra com amor da nossa gente.
Fotos e vídeo: Gleici Trois e Roseta Filmes



























