Resíduos sólidos e orgânicos do centro de Farroupilha são rejeitados pela cooperativa de reciclagem por contaminação

A má qualidade dos resíduos sólidos e orgânicos colocados nos cantâiners do centro de Farroupilha impede que o material seja reciclado na Cooperativa de recicladores Acaresul, bairro Vila Esperança. A declaração é do presidente da Cooperativa, Juliano Pereira, em entrevista na manhã desta quarta-feira, 17, ao programa Jornal da Manhã da Rádio Miriam Caravaggio 95.7 FM. Segundo ele trata-se de um material contaminado e não há como fazer a reciclagem para comercialização. Misturado com orgânico e seletivo, o manuseio para  a separação dos resíduos se tona inviável e oferece riscos aos recicladores.

A falta de consciência dos moradores dessa região da cidade, está provocando a diminuição do volume  útil para o comércio, chegando a um aproveitamento de 50% do material recolhido pela Ecofar à Cooperativa. A outra parte do montante que não é utilizável devido as condições inadequadas vai para o Aterro. Isso mostra que se o lixo fosse separado adequadamente pela população, a Cooperativa poderia aproveitar até 90% do material, conforme relata Juliano.

Portanto, o material recolhido proporciona que apenas 50% seja utilizado, mas isso graças aos bairros de Farroupilha, enquanto o volume do centro não tem condições de ser separado e precisa ser levado para o aterro. Conforme Juliano trata-se de um resíduo com alto índice de contaminação, pois é misturado com restos de alimentos, vidros, papel, plástico e outros, o que se torna prejudicial à saúde dos recicladores. Com a diminuição do volume reciclável a cooperativa passa por um momento difícil, e teve que desativar uma esteira por falta de matéria-prima, somado ao baixo valor do material atualmente no mercado. Isso está comprometendo a renda das famílias, que dependem desse faturamento.

São 12 famílias cooperativadas, que sobrevivem da renda do material reciclável, mas já chegou a 24, no passado. Com isso, o complemento da renda vem da prefeitura, mas os valores são insuficientes para atender as necessidades. A Acaresul tem ainda a carência de material de segurança, como Euipamentos de Proteção Individual – EPIs- (luvas, botas, jalecos e fones), que não estão chegando regularmente por quem tem a responsabilidade de fornecer que é a Prefeitura. Isso aumentam as dificuldades dos recicladores que dependem desse material de segurança para realizarem o trabalho.

Conforme Juliano, atualmente, uma família recebe em média mensal de R$ 1.800,00, mas aqueles que trabalham no manuseia das máquina chegam a R$ 3.000,00 por mês. No entanto a renda poderia ser bem maior caso a realidade fosse outra. No passado, com as duas esteiras em atividade a Cooperativa chegou a reciclar 130 toneladas por mês de resíduos. No momento chega a 80 toneladas, o que para o meio ambiente é impacto positivo, ou seja, quase um milhão de toneladas de lixo deixa de ir para o aterro sanitário anualmente em Farroupilha.

Já o secretário do Meio Ambiente, Nestor Zanonatto Filho, disse que a Prefeitura está tomando uma série de medidas visando melhorar a qualidade dos resíduos na área central. Uma das ações foi na semana do Meio Ambiente do ano passado, quando foi feita uma apresentação descarregando uma carga de material do centro, para mostrar o quanto esses resíduos são misturados. A proposta foi criar um impacto ambiental na população. Além de visitas nas escolas são realizadas campanhas mensais de coleta de vidros. Outra ação,segundo ele, está sendo encaminhada uma proposta por parte da Ecofar, específica, para o centro e dentro de 20 dias será lançada uma atividade de entrega voluntária visando motivar a separação adequada.

Em relação aos EPIs, ele disse que a entrega é realizada dentro do plano de trabalho que a Cooperativa apresenta para a Prefeitura anualmente, quando é renovado o acordo de cooperação. Ele acredita que o alto índice de rotatividade na Cooperativa, prejudica a manutenção dos equipamentos, já que nem sempre esse material é devolvido na hora da saída do colaborador.  O secretário disse ainda que quanto a questão econômica, a Prefeitura está conversando com a Ecofar para viabilizar recursos, dentro do acordo de cooperação, mas essa é uma prerrogativa da empresa que é responsável pela operacionalização dos resíduos.

Ouça áudios

Juliano Pereira – presidente da Acaresul

Secretário do Meio Ambiente de Farroupilha – Nestor Zanonatto Filho