Família Alexandrini chega do norte da Itália se instala em Caxias do Sul e sucessor empreende em Farroupilha

A Rádio Miriam Caravaggio 95,7 FM, conversou com Geraldo Alexandrini. A reportagem faz parte do projeto Aqui é Meu Lar, que em 2025 tratou dos 150 anos da Imigração Italiana, ouvindo histórias das famílias de imigrantes italianos. A trajetória dos Alexandrini, no Brasil, tem origem no norte da Itália, do Vêneto, embora a única referência que Geraldo tem dos seus antepassados é dos pais de seu pai, que vieram daquela região em dois irmãos, entre eles, seus bisavós, que migraram ainda muito jovens e há poucos documentos para contar a história. No entanto, a referência é a cidade de Alexandria na Itália.

Ele conta que a família de sua mãe é Rossetti e quando procurou informações para fazer a cidadania, acabou descobrindo que era Rossetto, que também migrou do velho mundo. Com o passar dos anos os documentos foram se perdendo. Para fazer a cidadania Geraldo procurou toda a documentação possível na Itália, quando descobrir de onde vieram e como seus familiares chegaram no Brasil. Já a família de sua mãe era numerosa, eram em 18 irmãos. Mesmo assim, como sua mãe não era das primeiras sobraram poucos para contar a história da família, mas o que ele sabe é que a origem é totalmente italiana.

Seus bisavós vieram da Itália para o Rio de Janeiro, depois para Porto Alegre, até chegarem em Caxias do Sul. “Eu não conheço muito os detalhes, como eu disse, tem pouca documentação, mas eles desceram, ingressaram no Brasil pelo Rio de Janeiro, inclusive, uma parte da família é Alessandrini, com dois S, e outra parte é com X”, explica. Essa forma de escrever o sobrenome da família em grafias diferentes possivelmente tenha surgido na época que foi feito o registro, no escrivão, que ao perguntar de onde vieram, a resposta deve ter sido, de Alessandria. “Eu sempre brinco, como a gente achou pouco documento, eu atribuo o nome Alessandrini, porque eles disseram de onde vieram e acabaram escrevendo Alessandrini, mas é folclore”, brinca. Geraldo conta que seus antecedentes chegaram onde hoje é o bairro Esplanada, em Caxias do Sul, ao lado do Aeroporto Hugo Conterggiani, para onde foram designados e receberam um pedaço de terra para plantar.

O seu avô durante um período foi carreteiro, transportava vinho e outros suprimentos até Ponta Grossa, no Paraná. Trazia de volta café, açúcar, sal, etc. “E aí depois o meu pai e meus tios foram motoristas de caminhão. É uma lástima que tenha sobrado pouco documento e pouca coisa para a gente rastrear essas coisas. É uma lástima, mas são outras gerações, claro”, lamenta. Geraldo nasceu em Caxias do Sul, no Esplanada. Seu trabalho inicial foi na Soprano em Caxias, com a transferência da fábrica para Farroupilha, ele seguiu junto, onde mais tarde conheceu Bia (Beatriz), da família Denardi, com quem se casou mais tarde.

Sobre seus antepassados ele conta que ouvia dos pais que a vida era muito difícil e que as histórias contadas pelo nono e nona, é que passaram muitas necessidades. “Naturalmente a gente ouvia isso e dizia que era um pouco de folclore. Mas realmente, se você imaginar chegar criança e ser jogado no mundo, a gente imagina que a vida tenha sido muito difícil mesmo”, acredita. Seu avô por parte de pai tinha um irmão e desse irmão, acabou se distanciando na viagem. “Então, ficou mais difícil ainda”, lamenta. Os seus antecedentes devem ter chegado por volta de 1900. “Eu estudei pouco o assunto, mas acredito que sim, porque vamos dizer assim, lá atrás eu tinha uma tia-avó, irmã da minha avó paterna, ela sabia ler, na época era uma coisa bastante difícil. Eu sempre brinco, quando eu comecei estudar só falava o dialeto, não falava português. Foi ela que me ensinou ler um pouco, ler em italiano. Ela tinha muita memória. Só que quando começava contar a história de como chegou no Brasil, ela chorava”, conta. A família Alexandrini é pequena, chegaram dois irmãos no Brasil, mas foi aumentando com o nascimento dos filhos. Já a família Rossetti, com quem seu avô por parte de pai se casou, era bem maior. “Eu não sei o sobrenome da minha avó, porque ela morreu muito cedo e a gente não tinha familiaridade”, confessa.

“Quando eu tinha doze anos comecei vender flores para pagar meus estudos e dos meus irmãos. A gente morava no interior de Caxias e um dia meu pai reuniu a família, dizendo que aconteceram alguns problemas e que não tinha mais condições de continuar pagando nossos estudos. Eu disse para ele, nós vamos buscar uma saída. E aí minha mãe falou, olha, a vizinha tem muito copo de leite e no dia de finados vende muito”, recorda. Geraldo conta que foi no Colégio Bom Pastor, nas Irmãs Pastorinhas, em Caxias e pediu para a Kombi do Colégio levar ele até a Feira Livre das Flores. “Era para a gente tentar buscar uma saída e conseguimos uma venda fabulosa. Dentro das nossas possibilidades na época era um dinheiro bom. E isso acabou ficando, eu fiquei nessa venda de flores por algum tempo ajudando a mãe com os gastos”, revela.

Ele imagina que hoje vender flores é totalmente diferente. No entanto, na época se batia de casa em casa para criar a freguesia. “Você gosta de crisântemo, tem a pessoa que gosta do cravo, a outra gosta do copo de leite, tem uma que gosta da rosa, mas você tem que buscar essa clientela, tem que construir, assim comecei. Então iniciei vendendo flores.  Era um trabalho secundário, eu sempre brinco quando eu conto essa história”, lembra. Geraldo compara vender flores na época equivalente a varrer rua hoje. “Você quer olhar uma coisa ou olhar outra e aí eu dizia para a mãe, eu quero começar trabalhar. Ter um emprego fixo, um rendimento fixo, mas logo que comecei trabalhar continuei vendendo flores por um tempo. Só que surgiu hora-extra e a gente acabou deixando. Eu trouxe um pouquinho da desinibição daquele tempo, porque você tem que ser cara de pau, habilidade para chegar e bater na casa de uma senhora de manhã cedo e ela ainda não acordou, abre a porta e te dá um xingão, pode até comprar alguma coisa, mas em primeiro lugar te xinga”, ironiza.

A Feira Livre em Caxias que Geraldo fala era próxima ao Hospital Pompeia, na Júlio de Castilhos, esquina com a rua Marechal Floriano.  “A gente expôs, eu e minha irmã, as flores na rua, na calçada e chamou muito a atenção”, recorda. Por falta de habilidade comercial, Geraldo conta que vendiam barato, assim facilitava a venda e com isso trouxe mais ânimo. “Para você ter uma ideia, com os trocos que a minha mãe nos deu eu comprei um saco de massa folhada. E nós todos irmãos sentamos na escada da casa para comer massa folhada e festejar, tinha sido um dia de glória, de boas vendas”, festeja.

Foi em janeiro de 1970, que Geraldo começou trabalhar como polidor e auxiliar geral de fábrica na Soprano, que era em Caxias do Sul, dois anos depois se transferiu para Farroupilha e ele seguiu junto. Para ele foi uma grande experiência, sua grande escola de vida, pois passou por dificuldades e bons momentos até construiu sua história na empresa. Foram 20 anos como polidor até chegar como diretor operacional. Depois de uma série de fatos, Geraldo acabou montando uma revenda de parafuso, no porão da casa. Por entender que havia cumprido sua missão na Soprano, queria ter seu próprio negócio e essa tomada de decisão era um sonho, ter um negócio próprio para poder melhorar de vida. Era seu objetivo, pois acreditava em tal possibilidade. “Eu e a Bia, queríamos melhorar de vida”, lembra.

Para ele era um sonho do casal, mas confessa que não imaginava o que aconteceria mais tarde. “Na verdade quando nós montamos a BigFair, para se ter uma ideia, nós montamos em 89, eu saí da Soprano em julho de 90. O Maurício nasceu em 84, tinha cinco anos quando montamos a BigFair e a Letícia nasceu em 86, era bem criança e a gente sonhava em montar um negócio para melhorar a vida e nesse interino aconteceram uma série de coisas. Eu sempre brinco, a BigFair é fundada no dia de Nossa Senhora de Caravaggio, 26 de maio. E a gente sempre olha e diz, a santa sempre nos acompanhou”, agradece.

Geraldo conta que queria fazer alguma coisa que não conflitasse com o emprego anterior, por uma questão de ética profissional.  A ideia era continuar o negócio sem criar problemas. “Hoje seria muito mais difícil, porque o mercado está muito fechado, para cada setor que tu olhar, tem 20 concorrentes. Na época não, havia outras possibilidades e tal. Nessas andanças de mercado como eu fazia muito a parte comercial, teve um amigo que me disse. Olha com carinho o setor de parafuso, tem muita carência e logo não terá mercado pela frente, eu creio que se tu trabalhar direito, poderá buscar um rendimento razoável”, aconselhou. Ele pensava em ter um negócio, uma ferragem pequena e começou como atacado, mas um negócio relativamente tímido, mas foram surgindo as oportunidades.

A Bigfer ingressou na indústria inventando o sistema de encaixe de cama tubular, que tem uma história interessante. Geraldo conta que era vendedor de pasta e ia visitar os clientes tirando pedidos, um dia sentado na Telasul, o Cettolin (um dos diretores da empresa), que o chamava de guri inventor, disse. “Eu tenho um problema muito sério nas camas tubulares, que conforme o uso ela mexe e faz barulho porque é encaixada com um parafuso e se apertar muito ela entorta o tubo, tu precisa inventar alguma coisa que seja encaixável, pois conforme bota o peso ela fica rígida. Eu falei para ele, podemos até ver, mas existe aquele sistema de montar cama de quartel, aí ele me disse, olha aquilo não funciona porque é muito grande. Eu disse para ele, deixa eu pensar”, conta.

Geraldo retornou para casa e pegou uma cartolina e dobrou. “Eu devo agradecer muito o Vítor Vieccelli, de Caravaggio, ele trabalhou comigo e a gente internamente o chamava de professor Pardal, porque tu ia nele e pedia alguma coisa, ele dava um jeito de fazer. Resolvia o problema, tinha a solução. Eu peguei a cartolina e dobrei e mostrei para o Vítor e disse, quem sabe a gente faz um encaixe de cama assim, ele me disse,  patrão, primeiro nós não temos máquinas, segundo, isso não vai funcionar porque a chapa é fina. Falei, mas engrossa a chapa, ele disse, é muito difícil de fabricar, mas vamos fazer o seguinte, vamos fazer umas amostras. Então nós fomos comprar uns pedaços de tira no ferro velho”, lembra.

Eles compraram o material, dobraram e lixaram, depois colocaram na mesa a invenção para duas camas.  O material foi levado para a Telasul e entregue ao gerente industrial. Então o Cettolim botou o estrado, subiu nas camas e começou pular. “Eu botei as mãos na cabeça, dizendo, pai, isso aí vai quebrar e vai machucar o homem. Moral do assunto, não quebrou. Foi resistente, não quebrou. Ficou bom, aí tinha um problema, que era difícil de desmontar. A gente fez dois furos desencontrados e com a chave de fenda,  dava um clique e desmontava. Aí ele me disse, vamos fazer o seguinte, me faz vinte camas. Eu disse para ele, olha patrão, chamava ele na época de patrão, não tem máquinas, ele disse, bom, se tu precisar de ajuda o Lóris ( um de seus funcionários de confiança), está aqui para te ajudar”, recorda.

Geraldo conta que no retorno eles foram atrás da de uma oficina mecânica que tinha as maquininhas para fazer as camas.  Foram montadas dez unidades e para fazer um teste acelerado foram colocadas algumas em motéis da região. A ideia era que se desse certo o problema estaria resolvido, se passasse no teste dos motéis as camas estavam aprovadas. Ficariam em teste por um período de 30 dias. Na segunda semana resolveram averiguar para ver como é que estava e retornaram com a aprovação. “Eu disse, mas patrão é 30 dias.  Ele disse, eu já recolhi umas amostras e está excelente, vamos  botar em linha no começo do mês. Eu dizia para ele, não tem condições, moral do assunto, a gente saiu comprando máquinas velhas, para montar uma celulazinha de fabricação e aí começou  a história da fábrica, porque até então era comércio”, conta.

O pequeno atacado de parafuso começou no porão da casa, comprando parafusos da “Parafusos Mitto”, e revendendo nas fábricas de móveis. Isso acabou criando um serviço necessário para as fábricas, não importava a quantidade. O material era levado até o cliente, quebrando um paradigma, que depois evolui de parafusos para telha de amianto, pois na época havia muitos aviários sendo feitos. Depois veio o prego e o telheiro, que passou a ser fabricado pela pequena fábrica para depois entrar os encaixes de cama.

“Nessa história toda, a dona Beatriz (sua esposa) entra desde o início, na verdade se não fosse pela Bia, a Bigfer não existiria, porque quando eu resolvi montar o negócio, eu fiquei com muita dúvida. Eu era diretor, tinha cargo na empresa, viajava para a Europa. Tinha secretária e agora vou montar um negócio para trabalhar no porão da casa, mudou o patamar. A Bia na época comprou a causa, tanto é que trabalhou um ano praticamente sozinha, tirava nota, separava material e entregava. Eu só trabalhava um pedacinho da sexta-feira, segunda-feira e  sábado, porque ainda mantinha vínculo com a outra indústria. Eu continuava trabalhando lá, tinha um acerto lá que eu ficaria um período até buscar a transição”, revela.

“Então volto a dizer, se a Bia não tivesse conosco, não tivesse comprado a ideia, a Bigfer não teria existido. Também devo fazer uma ressalva, que a Bigfer é a Beatriz e o Luiz Geraldo Ferragem.  O Luiz saiu antes que eu e deu uma força. Só que chegou num determinado ponto, que eu fiquei um pouco com dúvida, e ela me disse, olha ou tu vem ou a gente vai mudar isso aqui, porque  eu não dou mais conta. Eram dois filhos pequenos e trabalhando 24 horas por dia. Então volto a dizer a Beatriz é merecedora de tudo, é a base de tudo. Todo mundo que tem, sabe que montar indústria, precisa muito capital. E quando a gente teve a oportunidade de inventar o kit para o moveleiro, a gente começou a fazer esse serviço, abriu uma possibilidade infinita de fabricar parafuso e dobradiças, corrediça, cavilha e todos os produtos. Produtos injetados, etc, que fazem parte dessa cesta e aí realmente demandava muito capital e foi grande o desafio, porque você investe e tem um período de maturação”, explica.

A história da Bigfer foi construínda comprando máquina e levando conforme as possibilidades, passo a passo, começou do outro lado da rua, no prédio onde hoje é o Instituto Bigfer. Nessa história dos 36 anos tem alguns momentos de extremamente importância. “A gente sempre brinca, teve um momento da maior idade, um momento importantíssimo, quando a gente comprou a fábrica de Curitiba, dos Alemães, em 2010. Eu sempre brincava na época que com a experiência a gente adquiriu comprando a fábrica lá, a gente criou uma longevidade para um negócio muito maior. Trabalhar longe de casa e ter os controles que precisa, foi feito uma despensa de dinheiro muito grande. Porque além de comprar a fábrica, compramos o imóvel e eles trabalhavam em determinadas classes de clientes, que nós não trabalhávamos, era um outro nicho de clientes”, lembra.

Para Geraldo, a Bigfer sempre trabalhou na base de um nível B para baixo e a fábrica comprada dos alemães sempre tiveram produtos dirigidos para o cliente, extremamente eletizado. Ele entende que esse foi um dos passos importantíssimos para visualização do negócio, pois trouxe um marketing fabuloso, partindo de uma empresa pequena de Farroupilha, mas que compra uma filial de uma empresa alemã em Curitiba, com status.

“Isso acaba sendo um fato que a mídia explora com maior interesse. E aí trouxe também uma venda para clientes que a gente na época não imaginava que eram os eletrodomésticos, venda para refrigerador e fogão. Hoje para vocês terem uma ideia, o maior cliente individual de faturamento da casa, chama-se Whirlpool, que é a Brastemp Consul. É o maior fabricante de refrigerador e fogões da América do Sul, o maior cliente individual. Na fábrica de Curitiba a gente fabrica um volume muito grande de acessórios de geladeiras e fogões. Se pegar uma geladeira de uma Brastemp, nós temos lá mais de 60 itens que fornecemos. Se você pegar um frigobar retrô, nós fabricamos pezinho, puxador, dobradiça, caixa de gelo e assim por diante. Então, trouxe a visualização de um mercado que a gente não tinha conhecimento”, reconhece.

Geraldo lembra que esse é um mercado extremamente exigente, mas muito importante, inclusive para o amadurecimento do negócio, porque deu um passo de qualidade. Muito importante dentro do grupo é o portfólio de produtos, que começa com acessórios para móveis, tendo a matéria-prima e o plástico. Nesse processo, destaca-se a Lema, que cresceu muito nos últimos anos, (o nome Lema vem das iniciais dos filhos, Letícia e Maurício). “Nós temos uma venda para marceneiros e pequenos fabricantes de móveis importantíssimos, é um canal que a gente atua em função de filiais. Temos importante revenda de material que atende tudo o que o cliente necessita. Eu acabei tirando da ordem de importância de valor, que é os kits, um serviço que a gente leva para os moveleiros. Por exemplo, se você comprar um móvel da Todeschini, existe a possibilidade de você receber 100% da ferragem da Bigfer, mas é em torno de 80%. Como a Todeschini tem várias fábricas, algumas a gente não fornece tudo. Então a gente tem uma participação muito importante de serviço de kit e outros”, finaliza.

Ele recorda que o filho Maurício nasceu junto com o negócio, quando ainda estava no porão da casa e com seis anos conhecia mais o estoque do que o pessoal que trabalhava lá. A Letícia por sua vez, quando fez faculdade em Porto Alegre, foi trabalhar na Gerdau, depois na Keeling e quando a fábrica de Curitiba foi comprada ela voltou  trabalhar com a família. “Eu sempre tive muita vontade de ter toda a família trabalhando comigo. Hoje nós somos em quatro da família, eu, a Bia, o Maurício e a Letícia, mas ainda tem o Anderson, que é o marido da Letícia e a Juliane, esposa do Maurício, que também trabalha conosco. E eu sempre brinco, a família está 100% colocada dentro do negócio. Meus netos estão nas escolas, então tem envolvimento, ou você traz executivos, ou tem 100% de confiança que a família trabalhe junto. Não é difícil fazer a gestão, como existe um respeito profissional, hoje a gente se trata como sócio dentro da empresa”, disse.

Para ele, como o negócio nasceu junto com a família, faz parte algumas discussões, mas sempre se busca a conciliação. Ele se considera a pessoa mais dura e mais calculista do grupo e mas atribui as virtudes de bondosa à esposa Beatriz, que segundo ele tem um coração acolhedor e receptivo, que está dentro de seu DNA. “Ela tem uma preocupação muito grande. Quando pensou em abrir a escola infantil, demorei dois anos para dizer que sim, porque eu tinha muito medo da responsabilidade financeira e social. O que eu dizia na época, se um dia nós tivermos uma crise muito forte, como a gente faz?. Ela sempre respondeu da mesma maneira, a santa está olhando por nós. Quem faz o bem, recebe o bem. Então volto a dizer, quem tem essa característica é a dona Beatriz. A santa está olhando por nós. Essa é a frase da dona Beatriz”, elogia.

Geraldo não nasceu em Farroupilha, mas se considera um farroupilhense, pois sua história profissional e familiar foi construída em nesse município.  “Eu sempre digo, a gente não sai daqui por causa dos vínculos que nós temos. O correto é estar longe daqui por uma série de razões, mas essa é nossa terra. Talvez não intensamente, não tanto agora, mas sempre se vive o grupo Bigfer manhã, tarde e noite. Tinha períodos que a gente vinha trabalhar à noite também,  passava a noite aqui. A empresa é o nosso negócio, é o chão, aqui se sente bem, não tenho nenhuma dúvida. Se vocês forem olhar a maneira da empresa ser,  é uma família que está por trás, da certa. A gente vive e convive com isso. O pessoal me diz, mas por que tu vai trabalhar sábado à tarde?. Tu tens o contato, porque precisa conversar com o motorista, com carga e etc?. Precisa buscar essa integração, mas eu e toda a família gostamos”, justifica.

A Bigfer possui hoje mais de dois mil colaboradores. “Lá atrás eu dizia que era buscando carências no mercado, hoje é aproveitando oportunidades e tendo os pés no chão, mas concluo dizendo que a gente tem três patrimônios que qualquer empresa precisa para crescer. Equipe, produto e cliente. Você pode colocar na ordem que você quiser, mas são três patrimônios que qualquer empresa para ter futuro precisa ter. Você precisa ter muito respeito ao cliente e não é só fazer a vontade do cliente. Precisa ter muito respeito e mostrar para ele como é tua empresa. Prometer o que pode cumprir. Então, você tem equipe, produto e cliente, ou você pode dizer não. Cliente, produto e equipe. Eu coloco a equipe como primeiro lugar”, conclui.

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