Encerrada etapa diocesana do processo de beatificação do frei Salvador Pinzetta

Aconteceu nesta terça-feira, 06, a sessão de encerramento de processo do presumido milagre atribuído à intercessão do Venerável Servo de Deus Frei Salvador Pinzetta, na fase diocesana. O evento foi precedido da celebração de uma missa, presidida pelo bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom José Gislon, na igreja matriz Nossa Senhora de Lourdes, em Flores da Cunha.

Esta etapa do processo foi dirigida por um tribunal eclesiástico composto por um juiz, um promotor, um notário e uma médica que acompanhou o depoimento de 13 testemunhas. O processo agora será enviado para a Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano, onde será novamente analisado pelos peritos da Sé Apostólica. Se o milagre for novamente reconhecido, o Papa Francisco poderá proclamar o Frei Salvador Pinzetta como bem-aventurado.

O desejo da comunidade de Flores da Cunha, em elevar o Capuchinho que pertenceu à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos do Rio Grande do Sul, à condição de Beato, vem desde 1977, cuja documentação já se encontra em Roma junto à Congregação das Causas dos Santos, que aprovou em 2018 a documentação enviada pela comissão postulante. No ano passado o decreto assinado pelo Papa Francisco tornou o religioso Venerável Servo de Deus. Com isso, foi possível o culto à sua imagem. O processo de canonização teve início em 2011, com a instalação do Tribunal Eclesiástico.

Depois da abertura do processo na Diocese, nesta segunda, documentos, provas e testemunhos serão enviados ao Vaticano para que uma comissão de especialistas da área da teologia e da ciência da Congregação das Causas dos Santos, analisem se existe ou não o milagre. Caso o frei seja declarado Beato pelo Papa, a cerimônia acontecerá em Flores da Cunha com a presença de um representante do Vaticano.  Antes, essa etapa acontecia em Roma, mas por determinação do Papa Bento XVI, passou a ser na Diocese, em um movimento para valorizar a igreja local.

TRAJETÓRIA DO PROCESSO

A busca para tornar o frei Venerável Servo de Deus começou em 1977, cinco anos após da morte dele, no dia 31 de maio de 1972. O processo foi aberto em abril de 2011 na diocese de Caxias do Sul, com a instauração do Tribunal Eclesiástico Diocesano e nomeação do postulador da Causa de Beatificação, Dom Ângelo Domingos Salvador, que em 2012, levou os documentos para Roma. Depois disso, o vice-postulador, frei Celso Bordignon, ficou responsável por dar prosseguimento ao processo no Brasil, sendo que atualmente frei Sergio Marcelo Dal Moro, responde pela causa no âmbito da Diocese. O Capuchinho se tornou Vemerável Servo de Deus, em 13 de maio de 2019 , o frei Salvador Pinzetta foi tornado venerável pelo Papa, pelo papa Francisco.

Pela normas da Igreja, para a beatificação é necessária a confirmação de um milagre. Nesse caso é escolhido um caso em que existe a possibilidade de ter ocorrido milagre, o postulador local pesquisa, reúne documentos (inclusive médicos) e coleta provas e testemunhos que certifiquem a relação do fato extraordinário com a invocação ao frei Pinzetta. Identificado o presumido milagre, reunidas as provas para a comprovação, o material vai para Roma onde a Congregação da Causa dos Santos, avaliará o caso, primeiro com opiniões de dois médicos, indicados pela Congregação. Se o parecer for positivo, uma outra avaliação será feita por uma junta médica composta por sete profissionais. Se, ao menos cinco derem parecer favorável, o processo continua.

O último processo é analisado por nove teólogos que avaliam a invocação e a intercessão. É necessário ao menos sete que pessoas atestem que houve milagre, para que o processo seja remetido a reunião de 22 cardiais e bispos que examinam o caso. Se eles também atestarem, o caso é encaminhado, em forma de um relatório, ao Papa que, se estiver de acordo, declara a beatificação. Se não concordar, o Papa arquiva-se o caso. No entanto, se for considerado beato, o próximo passo é a canonização, quando frei se tornaria santo, mas para isso depende de um segundo milagre e todo o processo de comprovação é feito novamente.

SUA VIDA

O frei nasceu em1911 no município de Casca e morreu em 1972, sendo a maior parte de seu ministério desenvolvido em Flores da Cunha. No seu batismo recebeu o nome de Hermínio Pinzetta, filho de Fiorentino Pinzetta e Isabela Romani. Foi o segundo de treze irmãos. Sua irmã mais velha, tornou-se religiosa (Irmã Flora) da Congregação das Irmãs Scalabrianas. Iniciou sua vida religiosa com os capuchinhos no dia 2 de fevereiro de 1944, em Marau. Ingressou no Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Flores da Cunha no dia 22 de março de 1944 e recebeu o nome religioso de Frei Salvador de Casca.

Sua Profissão Solene aconteceu no dia 6 de janeiro de 1949, em Flores da Cunha, onde desempenhou suas funções, de 1944 a 1946; em Garibaldi, de 1946 a 1948 e, novamente em Flores da Cunha, de 1948 a 1972. Sempre em trabalhos domésticos e serviços gerais: como cozinheiro, no jardim, na horta, na coleta de uvas, na fábrica de vinhos e na apicultura. Suas virtudes, são lembradas e citadas, por superiores e estudantes. Destacam a sua caridade, humildade, pobreza (um viver desapropriado), obediência (a virtude da escuta), castidade (transparência de vida).

Há 32 anos todas as quintas-feiras de Corpus Christi é celebrada a Romaria de Frei Salvador em Flores da Cunha. Romeiros saem do centro da cidade em direção ao Eremitério de Nossa Senhora de Fátima, há dois quilômetros do centro, onde o frei costumava rezar, todos os finais de tarde. Lá foi construída uma capela, onde acontecem as celebrações e a benção aos fiéis. Também nessa celebração é exaltada a produção ecológica e a Eucarestia. Frei Salvador costuma ir de casa em casa levar a hóstia, tendo como lema em sua vida “Sou o que Sou diante de Deus”. Era um religioso que tinha uma afinidade muito presente com a horta do Convento em Flores da Cunha, uma de suas atividades, onde viveu fraternalmente.

Foto: Padre Elton Bussoloto Aristides