O Talian em documentário sobre as quatro décadas da língua do grupo teatral Miseri Coloni

O filme “O Talian é pop!” conta os 40 anos do Miseri Coloni nos palcos. Trata-se da trajetória do grupo, cujo significado, mais do que simples tradução, remete aos “pobres colonos”. O documentário tem 53 minutos de duração, com direção de André Costantin, realização da Associação Cultural Miseri Coloni, em parceria com a produtora Transe Lab. Há 40 anos, era impensável que uma língua de origem camponesa, reprimida por muito tempo nos âmbitos oficiais da sociedade e por vezes praticada até com alguma vergonha pelos seus falantes, pudesse tornar-se matéria-prima de uma experiência artística potente, duradoura e pioneira na cultura brasileira. O documentário pode ser acessado no canal do Youtube.

Esta é a história que foi escrita e sobretudo recitada e cantada pelo grupo teatral Miseri Coloni, no amplo território simbólico do Talian – a língua comum da imigração italiana no sul do Brasil. Nestas quatro décadas de vibração cênica, o Miseri Coloni montou 9 espetáculos, chegou às incríveis marcas de 495 apresentações e 161.100 espectadores. Depois de 40 anos, não resta dúvida: o Miseri Coloni e o Talian são pop!.

Falado em Português e Talian, o documentário estreou ao público local no dia 24 de setembro, pela TV Câmara de Caxias (Canal 16 da NET). Para outubro, serão programadas sessões públicas presenciais. O filme integra a safra de realizações do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas, da Sedac (Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul) e Fundação Marcopolo. Ancorado em um conjunto de inéditos registros da memória do grupo Miseri Coloni, o roteiro entrelaça as histórias das atrizes e atores no universo simbólico e de resistência da língua Talian. Múltiplas vozes formam uma teia narrativa espontânea, emocional e, claro, entrecortada por performances e improvisações dos protagonistas.

A cada depoimento e memória, entendemos porque o Miseri nasce na órbita de Caxias do Sul, no início dos anos 1980, mas logo torna-se um patrimônio regional e brasileiro. Histórias e ícones da cultura popular, antes guardados apenas na oralidade, renasceram com o Miseri Coloni. O caso mais emblemático foi o resgate da figura de Nanetto Pipetta, em dez anos de sucesso absoluto e muito riso entre plateias do Brasil – e também em turnê pela Itália.

Ainda antes do filme O Quatrilho, de 1996, levar ao Brasil e à premiação do Oscar uma certa atmosfera cultural da imigração italiana no sul do Brasil, o Miseri Coloni já adaptava e encenava com maestria o romance homônimo de José Clemente Pozenato. E foi assim que o Miseri dialogou nesse tempo com amplos espectros da cultura, seja dando vida a remotas arqueologias populares ou em enredos oriundos de criações artísticas e pesquisas de mitologias, do cancioneiro, de literaturas clássicas e periféricas – mas sem jamais esquecer da vida e da linguagem dos pobres colonos, essência fundadora do Miseri Coloni.

FICHA TÉCNICA

Título: Miseri Coloni – 40 anos de Talian no palco (2021/53 min.)
Direção: André Costantin
Produção: TranseLab
Realização: Associação Cultural Miseri Coloni
Coordenação de pesquisa e produção: Cleri Ana Pelizza
Direção de fotografia: Daniel Herrera
Montagem: Nicolas Mabilia
André Costantin
Câmera: Luiz Coutinho
Criação gráfica/design: Miguel Beltrami

DEPOIMENTOS

– João Tonus
– Cleri Ana Pelizza
– Arcangelo Zorzi (Maneco)
– Camilo De Lélis
– Fábio Cueli
– Nadir Tonus
– Auri Pasqual Paraboni
– José Itaqui
– Hugo Lorensatti
– Nádia Maria de Carli Forcelini
– Magali Quadros
– Cibele Tedesco

LUGARES DE REGISTRO

Caxias do Sul – RS
Nova Pádua – RS
Porto Alegre – RS
Santa Maria – RS

Áudio da entrevista com André Constantin:

 

Foto: Acervos Miseri Coloni