Projeto Histórias na Pele ressignifica marcas de automutilação por meio da tatuagem

O dia 10 de setembro é marcado mundialmente como o Dia de Prevenção do Suicídio e diversas ações em torno da conscientização do tema são trabalhadas no Setembro Amarelo. Neste contexto, a agência Fabulouser Design, de Caxias do Sul, resolveu tomar iniciativa e promover uma campanha aos que passaram por momentos difíceis envolvendo a automutilação. O objetivo do projeto Histórias na Pele é oportunizar que as pessoas redesenhem a sua história, ressignifiquem suas marcas e consigam “virar a página”. O projeto ganhou dimensão nacional e já envolve mais de 70 tatuadores de todo o país, sendo que até o final de setembro o intuito é atingir 100 profissionais.

De acordo com a sócia-proprietária da agência, Caroline Moreira Nora, foi realizada uma postagem sobre a campanha nas redes sociais, impulsionada para todo o Brasil. Assim, os tatuadores começaram a entrar em contato para colocar o seu nome à disposição. Para profissionalizar ainda mais o projeto, a agência encaminhou aos colaboradores algumas instruções de cuidados, como, por exemplo, sobre o que falar ou não falar durante o atendimento. O trabalho é feito gratuitamente ou é cobrando apenas o custo dos produtos.

Caroline destaca que a iniciativa está sendo muito importante. Conforme os relatos, as tatuagens estão fazendo com que as pessoas se desvinculem de traumas e passem a ver a cicatriz com outro significado. “Pra gente está sendo recompensador. As pessoas estão muito felizes e dispostas a virarem uma página que antes estava difícil pra elas. Muitas vezes, elas não conseguiam lidar com alguma coisa, mas isso foi um incentivo para elas conseguirem virar a página”, explica.

PROJETO EM FARROUPILHA

Uma das tatuadoras que se identificou com o projeto foi a farroupilhense Raquel Roman. Apaixonada por desenhos e pela arte da tatuagem desde criança, a cerca de um ano ela empreendeu e criou seu estúdio no município. Raquel comenta que conheceu o projeto Histórias na Pele por meio de uma amiga e que, de imediato, se sentiu motivada à contribuir.

Ela acredita que a tatuagem é uma ferramenta de transformação. “Eu sempre quis trazer um novo olhar para o mundo da tatuagem, para que as pessoas percam um pouco o preconceito que elas têm com essa arte. Eu vi nesse projeto uma forma de poder ajudar as pessoas de uma forma que eu consiga, de uma forma justa e valorizando a arte da tatuagem, que é o que eu prezo tanto”, relata.

A tatuadora conta que não pensava que teria tanto retorno. Segundo ela, muitas pessoas entraram em contato mostrando interesse em fazer a tatuagem, mas algumas queriam somente contar a sua histórias ou, até mesmo, agradecer pelo fato de estarem sendo notadas. Raquel agradece por estar colaborando e proporcionando uma ressignificação por meio da arte da tatuagem. “Muitas me falaram assim: agora finalmente eu vou poder olhar para o meu braço normalmente. Porque elas olham para aquelas marcas e lembram do passado difícil que elas tiveram. Talvez com a tatuagem, com a arte que elas querem, que representa coisas boas, elas vão passar a lembrar de um novo momento. É um novo significado!”, completa.

Todas as suas tatuagens relacionadas ao projeto já estão agendadas. Caso alguém queira conversar com a profissional sobre a cobertura de cicatrizes, machucados ou marcas pode entrar em contato com a Raquel Roman pelo Instagram @rqlroman ou pelo whatsapp (54) 99911-1993. Além disso, é possível ir no estúdio, que fica no Edifício Firenze, 425, na rua da República, em Farroupilha.

 

Ouça a entrevista com a sócia-proprietária da agência, Caroline Moreira Nora:

 

Ouça a entrevista com a tatuadora Raquel Roman:

 

Foto: Divulgação Histórias na Pele