Aqui é Meu Lar desse sábado começa contando a história da imigração italiana pela trajetória de Mário Carlos Buscaíno
A Rádio Miriam Caravaggio 95,7 FM, veicula a partir desse sábado, dia 11 de outubro de 2025, o primeiro programa “Aqui é Meu Lar”, de uma série de 10 edições, com o tema: “Protagonistas de uma história de sofrimento, coragem, fé, esperança e conquistas”. A proposta é celebrar os 150 anos da Imigração Italiana, no Rio Grande do Sul, com a história contada através dos próprios personagens, falando da formação de um povo persistente e vitorioso.
A primeira reportagem é com Mário Carlos Buscaíno, proprietário da Terraplanagem Farroupilha, “Aquela do Buscaíno”. É uma história que vem sendo contada há muito tempo e tem sua origem de muito longe. Seu pai era natural da Paceco, uma cidade que fica na província de Trapani, na região da Sicília, no sul da Itália. Chegou ao Brasil, em Farroupilha, com 30 anos, em 1910, faleceu com 83 anos. Foi casado com Albina Paulina Fetter, filha de alemães com quem teve dois filhos, Mário e outro irmão que ainda vive com 94 anos de idade e mora em Farroupilha. Seu pai era topógrafo e guarda-livros. Mário tem 91 anos completados no dia 09 de setembro. Seu pai conseguiu se naturalizar brasileiro e quando recebeu o documento, foi no Fórum e cantou o Hino Nacional Brasileiro, sua alefria era tanta, ele queria votar em Getúlio Vargas e Alberto Pascoalini.
Mário conta que quando nasceu, Farroupilha (Nova Vicenza), era distrito de Caxias do Sul, conhecida como o segundo Distrito de Caxias do Sul. Sua residência sempre foi onde hoje é a rua da República, em frente à Buscaíno Imóveis. Ele disse que por seu pai ser italiano e a mãe descendente de alemão, entre 1940 e 1945 a família passou por muitas dificuldades. Quando seu pai chegou em Farroupilha, foi trabalhar no comércio Irmãos Dalmolim, que era um comércio de secos e molhados e vendia por atacado.
Confessa que quando jovem, não gostava muito de estudar, mas praticava ciclismo. Sua juventude foi de muita tranquilidade, pois Farroupilha era uma cidade calma e a alternativa para lazer eram os bailes na região. Foi em uma das cidades vizinhas, que a felicidade aguardava Mário Carlos Buscaíno. Em Arroio Feliz morava Maria de Lourdes Persch, com quem se casou e tiveram dois filhos, Simone e Marcelo, Marcelo mora há 30 anos na Espanha.
No ramo de terraplanagem são 52 anos, ele começou onde hoje é o Hospital do Dente, esquina da Pena de Moraes com a Tomaz Edison. Com o tempo construiu o pavilhão onde está atualmente com o maquinário e escritório, na Rua Pena de Moraes, 212, bairro São Luiz. Mário conta que quando se mudou para o atual endereço, o taxaram de “louco”, pois na época não havia nada naquela região, só plantação de acácia. “As pessoas diziam vai fazer o que lá? vai perder todos os fregueses”, lembra. Hoje seu terreno de 80 metros de frente, 80 de fundo, com um pavilhão de 25 metros de largura por 50 de comprimento, abriga todo o maquinário da Terra Planagem Farroupilha.
A sua terraplanagem ao longo desses anos desbravou o interior, tornando a empresa e proprietário muito conhecidos. Mário disse que a Linha Jacinto, foi um dos locais onde mais trabalhou. Além da região a empresa atuou no estado do Paraná em Santa Helena e Santa Catarina na Usina de Itá. Ele lembra que a região do São Luiz era muito acidentada na época em que começou sua atividade, tanto que até hoje possui uma quadra ao lado do mercado Cripa, mas não escavou, deixou natural, para mostrar as novas gerações como eram os terrenos na época. Diz ele, que onde não era morro, era banhado.
A ideia de começar trabalhar com terraplanagem, segundo Mário, surgiu em um sábado à tarde na Borracharia Mauri, quando se encontrou com o gerente do Banco do Brasil, Rui Vasco Gonçalves. “Ele disse para mim, seu Buscaíno como aqui em Farroupilha não tem nenhuma firma que faz terraplanagem, tem que vir de Caxias e de Bento, porque o senhor não bota uma terraplanagem?. Foi ai que me incentivou e já são 52 anos trabalhando”, lembra. Mas Mário conta que não entendia nada do assunto, foi quando pegou o catálogo das máquinas e saiu procurar quem conhecia o ofício. Seu primeiro passo foi ir a Caxias nas garagens da prefeitura, falou com o chefe do departamento, Osvaldo Spindola, e perguntou qual máquina adquirir, ele respondeu que seria um trator de esteira Caterpillar e a carregadeira Michigam. “Foi isso que comprei”, conta.
Antes de entrar no ramo de terraplanagem, Mário ajudava seu pai medir terrenos. Na safra da uva pregava caixa para transportar uva, ou seja, não tinha um trabalho fixo, mas seu primeiro grande negócio foi a plantação de acácia, sendo o primeiro acacicultor de Farroupilha. Para a montagem de seu negócio, não disponha de recursos, mas conta que hipotecou todos seus terrenos para comprar um trator e uma carregadeira. Mais tarde chegou a ter quatro tratores e duas escavadeiras, três retroscavadeiras e meia dúzia de caminhões. Recorda que não se encontrava em Farroupilha operador de máquina, com isso era obrigado a contratar funcionários de Guaporé, Feliz e São Vendelino.
Um determinado dia ele estava no antigo prédio da empresa, quando uma senhora procurava a terraplanagem, mas não localizava, até que perguntou a ela a quem procurava, ela disse o Buscaíno para fazer um trabalho, foi quando respondeu que ele era o Buscaíno. A partir desse dia surgiu a ideia de acrescentar a frase “Aquela do Buscaíno”, já que a população conhecia o Buscaíno da terraplanagem. Por sua empresa ser muito conhecida pelos serviços em toda a região, grandes empresas utilizaram seus serviços, entre elas a Tramontina. Garante que mais da metade do Distrito Industrial, foi feito pela sua empresa.
Quando Mário começou seu negócio, já era casado e tinha os seus dois filhos. Simone Meri Buscaíno, engenheira Civil e trabalha na Buscaíno imóveis, casada com Eduardo Rech, engenheiro Mecânico e Carlos Marcelo, que trabalha na Ópera em Barcelona. Ele residiu 11 anos na Alemanha e se formou como ator. Mário conheceu sua esposa Maria de Lourdes em um baile de Kerp em Arroio Feliz.
Ele entende que hoje a realidade é muito diferente para começar um negócio como aquele que iniciou há 52 anos. No Distrito Industrial, a única firma que existia era a Trombini, depois a veio a Grendene e a Tramontina, Seu maior cliente era o Severino Lody e o primeiro loteamento foi o Dolvino Dalsóchio, no Santa Catarina, que era de Severino Lody. “Não seria possível fazer como naquele época, enterrar os banhados”, compara. Ele conta que seu avô, pai de sua mãe, Pedro Noll, recebeu do sogro uma herança de 404 hectares de terra, que ia de Piemont ao Leste/Sul. Catarina Noll Fetter, era sua mãe.
Parte da terra do cemitério municipal foi seu avô que doou. Ele lembra que seu avô era protestante, hoje Evangélico de Confissão Luterana, mas mesmo assim doou a quadra para a igreja Matriz. Ele conta que na época tinha um Monsenhor chamado Tiago Bombardelli, que era muito rígido e separou o cemitério em Evangélicos e Católicos. Seu pai era católico apostólico romano, mas não praticava. “Quando ele passava na frente da casa canônica e o Monsenhor estava lá, ele dizia o senhor vai para o inferno e ele dizia, o senhor também vai. Porém tinha um exator estadual que morava em Farroupilha e mandou tirar a cerca que separava Evangélicos e Católicos, no cemitério.
Seu avô tinha 4020 hectares de terra, que herdou do sogro Pedro Noll. Sua mãe era da feliz e foi alfabetizada primeiro em alemão, porque não tinha professor em português. Quem fornecia energia elétrica era o Moinho Covolam que tinha uma turbina na Busa, mas muito pequena e fornecia luz em alguns horários. Só foi melhorar depois de uma usina de Passo do Largo. Mário conta que o primeiro asfalto foi em frente a casa de José Reginato, na frente do Despachante Glória Menegotto. Na Júlio entre a 13 de Maio e a Independência foi a primeira pavimentação por paralelepípedo. Tudo feito a mão, com carroça, mas seu sogro quando veio para Farroupilha conseguiu fazer uma uma casa de dois pisos de madeira, são algjumas das memórias que Mário Carlos Buscaíno, ao longo dos seus 91 anos ainda lembra.
Ele acredita que Farroupilha cresceu quando implantou o Distrito Industrial, que trouxe pessoas de outras regiões para trabalhar aqui. Mário diz que Farroupilha é um centro que faz divisa com dez municípios. A posição geográfica é muito boa. Para ele, os desafios de hoje é a educação e a segurança, classifica Farroupilha como um bom lugar para morar.
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