Último programa Aqui é Meu Lar de 2023 conta a história da família Marmentini em Santo André na Linha Jacinto

A Miriam Caravaggio 95.7 FM, veicula neste sábado dia 30 de dezembro de 2023, o último programa “Aqui é Meu Lar”, com o tema “Pés no interior, olhos na cidade. Volta às origens” O tema aborda pessoas que vivem no interior e estudam na cidade, ou que por muito tempo tiveram uma vida urbana e decidiram ir para o interior produzir, nascidos, ou não no interior. A reportagem foi à Capela Santo André, localidade de Linha 24 de Maio, pertencente a região de Linha Jacinto (3º Distrito de Farroupilha), na propriedade de Antônio Marmentini, que produz mais de dez variedades de uva.

Antônio Marmentini, 76 anos de idade, nasceu na mesma propriedade e pretende viver nela até os últimos dias de sua existência. Casado com Naildes Gaio, natural de Mato Perso, ele conheceu a esposa em uma festa naquela comunidade, todavia, em virtude de sua aptidão artística (gaiteiro e cantor), se juntou à família Gaio para as cantorias. Ocasião em que os olhares fixaram-se para Naildes, na insistência, Antônio flechou o coração da jovem e mas tarde se casaram. Durante o namoro, Antônio não media esforços para ver sua futura esposa. Naquela época fazia um percurso, a pé, de 16 quilômetros até a casa da namorada, quando saía de Santo André, na sexta-feira e retornava para sua casa na segunda-feira.

A propriedade de 24 hectares de terra foi herdada do pai, que adquiriu com a ajuda de um cunhado, ao emprestar o dinheiro para a aquisição do imóvel. A área total engloba mais 13 hectares, que foram comprados pelo filho Edir e anexada aos 24 hectares herdados, assim somam-se 37 hectares, sendo que 30, são ocupados pelos parreirais. Antônio é o filho homem da família, que tem mais três irmãs, duas faleceram a uma mora em Farroupilha. A produção de Marmentini é gerenciada pelo filho Edir, mas tem também a ajuda da nora Ivanessa e a esposa Naildes, mas na época da colheita e poda, contrata-se mão-de-obra terceirizada para ajudar.

Nos 30 hectares de área cultivada a produção soma em média um milhão de quilos de uva ao ano, Marmentini conta que já chegou a um milhão e quarenta e cinco mil quilos. Ele não lembra exatamente quais variedades cultiva, mas se aventura dizer que é a lorena, carmem, isabel, BRS magna, niágara rosa, branca e bordô, bordô rúbia, moscato diálogo, BRS bibiana e outras. A quantidade de variedade tem uma razão estratégica: como a área plantada é extensa, seria muito difícil colher em uma única época, pois a uva madura tem um período curto para ser removida do parreiral. Com a diversidade a família consegue fazer uma sequência de colheita, ou seja, enquanto tira uma variedade as outras vão amadurecendo e assim sucessivamente. Quando a última variedade  amadurece, as demais já foram colhidas. A variedade predominante é a magna. Atualmente a safra é entregue para a Vinícola União de Vinhos.

Ivanessa Ziero Marmentini, 42 anos, é casada com Edir Marmentini e é natural da comunidade de São José, na Linha República. Ela conhece o marido desde criança, por morarem em localidades próximas. O relacionamento começou há pelo menos de 20 anos. Ivanessa chegou a cursar Administração com habilitação em Comércio Exterior (COMEX), no Campus da Universidade de Caxias do Sul em Farroupilha, período em que morou na cidade, quando trabalhou no Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Farroupilha (Sintrafar), até se formar. Ela conta que adora morar na colônia, onde as pessoas tem liberdade e qualidade de vida. Casada com Edir, eles tem dois filhos, Artur com nove anos e Murilo, quatro anos de idade. A mãe revela que o Artur é apaixonado pelo trabalho nos parreirais, seu desejo é dirigir o trator, mas por questões de segurança e por ser menor de idade, a família não permite que ele conduza o maquinário. Artur estuda na escola Angelo Ziero na parte da tarde e durante a manhã se distrai nos parreirais acompanhado os pais, nas atividades permitidas.

Ela e o marido já chegaram a produzir pêssego, mas devido a mão de-obra- ser mais complexa, a decisão foi substituir pela uva. A sua função na propriedade é fazer a administração e cuidar das questões burocráticas, mas nos período de demanda de serviço, ela também vai nos parreirais trabalhar.  Ivanessa comemora o fato de poder trabalhar em família e morar no interior, pois não conseguiriam viver na cidade. Nascida de uma família de agricultores, diz que essa é a sua atividade escolhida e não vê outra. Não trocaria a liberdade da agricultura pela vida da cidade. No período em que trabalhou na cidade, diz que não viu a hora de chegar a sexta-feira, para voltar para casa e só retornar na segunda-feira.

Antônio Marmentini é também gaiteiro e por 45 anos atuou em Conjunto Musical, inclusive, o dinheiro que ganhava com a música, servia para ajudar nas despesas da casa. Ele conta que nessa época conheceu muitos lugares e pessoas, mas não foi um período muito fácil, pois sua atividade artística exigia muito trabalho e dedicação, desde o manuseio dos equipamentos até às noite de sono para animar as festas. Ele conta que aprendeu a tocar acordion quando era muito jovem. Naquela época um vizinho contratou um carpinteiro para construir a casa, conhecido como Honorino Rossi, que tocava duas música no instrumento. Marmentini relata que ao ver Honorino tocar, aprendeu o ofício somente observando os movimento do tal gaiteiro. Hoje ele não integra mais um conjunto musical, mas eventualmente se reúne com os amigos para fazer alguns arranjos e cantar, assim passa algumas horas se divertimento.

Marmentini também trabalhou no estado como vacinador, período em que o estado realizava campanhas de erradicação da febre aftosa no rebanho bovino. Com o tempo ele teve que deixar a atividade para se dedicar exclusivamente à agricultura, pois com filhos ainda criança, precisava ficar na propriedade.  Ele conta que foi um período de muito trabalho e dificuldades, inclusive, por várias vezes foi corrido pelos proprietários dos rebanhos que não aceitavam vacinar o gado. Porém, hoje comemora as conquistas e sente-se feliz em morar no interior e trabalhar com uva. Tem cinco filhos, Edir que mora na propriedade e é sócio na produção, outro filho que mora em Nova Roma do Sul e mais três filhas, uma é sua vizinha, outra mora na cidade de Farroupilha e mais uma que trabalha na Golden Sucos. Para ele, atualmente a maior dificuldade que o produtor enfrente é com a falta de mão-de-obra, que exige a contratação de terceiros, assim como a lei Trabalhista que não é flexível para este tipo de contrato.

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Galeria de Fotos: Rafaela Vargas