Aqui é Meu Lar deste sábado visita Leandro Tamanini produtor de folhosas hidropônicas na Linha Julieta

A Miriam Caravaggio 95.7 FM, veicula neste sábado dia 30 de setembro de 2023, o primeiro programa “Aqui é Meu Lar”, deste ano, com o tema “Pés no interior, olhos na cidade. Volta às origens” O tema aborda pessoas que vivem no interior e estudam na cidade, ou que por muito tempo tiveram uma vida urbana e decidiram ir para a agricultura produzir, nascidos ou não no interior. O destaque da entrevista é Leandro Tamanini, 42 anos, na Linha Julieta (1º Distrito de Farroupilha). Junto com seu pai, Cláudio Tamanini, a mãe Jandira Lúcia Debastiani Tamanini e a esposa Cadriani Gervasoni, a família tem como produção, hortaliças folhosas no sistema hidropônico.

Leandro conta que sempre gostou da agricultura, pois já com dez anos ajudava os tios na criação de frangos, gado leiteiro e ovelhas, mas devido a pouca quantidade de terra (dois hectares), teve que fazer a opção diante da impossibilidade de viver na agricultura. Foi quando decidiu estudar e buscar especialização para trabalhar na indústria, se formando em Técnicas em Processamento de Polímeros e Eletrônica Industrial, trabalhando na indústria até 2013, na função de eletromecânico.

A partir do referido ano começou a pesquisar e encontrou informações no cultivo hidropônico, o que lhe chamou atenção e o motivou colocar em prática, inicialmente com uma estufa pequena, mas em pouco tempo Leandro foi aumentando o empreendimento e começou perceber que poderia tirar dali o sustento da família. Foi quando deixou o trabalho na indústria, em Farroupilha, retornando à agricultura para se dedicar exclusivamente na produção de hortaliças folhosas em estufas no sistema hidropônico. Leandro havia deixado o interior com 19 anos. Hoje tem a companhia da esposa que ajuda na atividade e se dedica outra parte do tempo para cuidar de um dos filhos que precisa de atenção especial. Ele conheceu Cadriani em um Point, no posto Modelo, onde os jovens se encontravam nos finais de semana para lazer.

Leandro e Cadriane tem três filhos, Artur com 20 anos, Sara (entiada), com 16 anos e David, com nove anos de idade. Na propriedade há pelos menos 50 metros da ERS-122, próximo ao Posto da Polícia Rodoviária Estadual de Farroupilha, a família produz hortaliças de folhas hidropônica e uma quantidade menor de agrião. São três estufas (1000m2, 200m2 e 500m2), respectivamente, em uma área de dois hectares, com uma produção mensal que pode variar de sete a dez mil unidades ao mês. A produção de alface, rúcula, radicci e temperos (sebolinha e salsa), vai para restaurantes e mercados da região, alguns clientes recebem diariamente as entregas, mas a maioria é três vezes por semana. Conforme Leandro, no inverno a colheita acontece no final da tarde e no verão antes de clarear o dia, pois a entrega inicia antes das sete horas da manhã.

Ele comemora o fato de sua produção estar em estufas, pois com esse sistema diminui o impacto das intempéries, como granizo, neve, geadas, fortes chuvas e calor muito forte. Mesmo assim, a planta não está imune ao clima externo, porque quando acontecem muitos dias de chuva, a umidade pode produzir pragas, doenças e fungos, assim como a falta de sol, não elabora fotossinteses para o desenvolvimento da hortaliça. Uma planta para estar pronta para a comercialização pode variar de 30 a 50 dias, dependendo das condições climáticas. Leandro e seu Cláudio vislumbram aumentar a capacidade de produção, mas projetam com muita cautela devido ao custo, hoje para montar uma estufa igual de 1000m2, como uma de sua propriedade, pode custar em torno de R$ 600.000,00.

O tamanho da propriedade, dois hectares, foi determinante para a decisão de cultivar em sistema hidropônico, cuja espécie (folhosas), tem boa aceitação no mercado e a demanda é muito grande. “É um produto que se vende sozinho praticamente e em fim, depois que a gente vai iniciando um processo, e depois que o processo está montado não tem mais como mudar ele”, avalia. Nesse sentido, Leandro não pretende mudar, pois entende que já adquiriu uma certa bagagem e o negócio está dando certo.

Para ele a hidroponia oferece muitas vantagens, entre elas, a questão ambiental na medida em que a utilização da água por ser uma ação pontual é bem menor do que o sistema tradicional. Uma outra vantagem é a questão da ergonomia, nesse caso, não há a necessidade de trabalhar agachado ou sentado, pois as plantas ficam em uma altura adequada para o manuseio. Ele acrescenta ainda que o fato da plantação estar protegida, elimina a preocupação com as condições climáticas provocadas pela chuva forte ou o sol.  Acrescenta-se às vantagens, o tratamento da planta na medida em que recebe uma nutrição balanceada, diferente da produção cultivada tradicionalmente.

Cláudio nasceu na Linha Julieta onde trabalhou na agricultura até os 30 anos de idade, mas fez sua carreira profissional na Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), até 1997. A origem da família é da Itália, seus avós eram imigrantes  do velho mundo. O pai nasceu no Brasil, em Bom Princípio, mas migrou para a para a Linha Julieta, em Farroupilha, onde Cláudio nasceu e ali se criou com mais nove irmãos. A sua mãe nasceu em Nova Vicenza, também, em Farroupilha. Cláudio e Jandira tem quatro netos, dois filhos da filha Liziane e dois do Leandro. A sua esposa é natural de Nova Milano, foi em um baile nessa comunidade que se conheceram e mais tarde contraíram matrimônio, isso há 44 anos. Ele conta que quando se casou com Jandira, já tinha 30 anos de idade.

Depois de trabalhar 30 anos na cidade retornou à agricultura e se aventurou na plantação de frutas, mas logo migrou para a produção de folhosas com o filho. Cláudio nunca deixou sua propriedade no interior, mesmo trabalhando na cidade permaneceu residindo em sua casa na Linha Julieta, mas depois que se aposentou decidiu voltar às origens em sua antiga atividade de agricultor. A escolha de trabalhar com hortaliças folhosas foi motivada pelo filho, que viu nesse processo a garantia de sobrevivência.

Leandro tem planos de seguir e aumentar o seu negócio dentro da necessidade do mercado e suas condições de investimentos. Para aqueles que estão em dúvidas quanto a iniciar uma atividade agrícola, ele aconselha que só vão ter certeza se vai dar certo ou não, quando começarem. “Então eu prefiro pecar hoje por ter tentado, do que daqui há pouco ter ficado com medo de não receber um salário fixo, um décimo terceiro ou, umas férias e um Fundo de Garantia e não ter tentado fazer aquilo que eu gosto. Então acho que se a pessoa gosta daquilo, ela tenque ir atrás.  É um trabalho que exige esforço físico, mas compensa pela sua independência, por ser autônomo e cuidar do seu próprio negócio”, aconselha. Cláudio diz que as pessoas que tem vontade de voltar para agricultura que tentem “tente, não deixe de tentar, é melhor voltar e continuar o serviço como eu fiz. É bom trabalhar junto com os filhos e procurar segurar eles na agricultura junto com os pais”, recomenda.