Aqui é Meu Lar: Do ramo calçadista à Fenakiwi Antônio Luiz Rufatto escreveu a trajetória de sua família vinda de Monte Grappa na Itália

O programa Aqui é meu Lar da Rádio Miram Caravaggio 95,7 FM,  conversa com Antônio Luiz Rufatto. O programa desse ano tem como proposta, a imigração italiana, nos seus 150 anos, no Rio Grande do Sul, contando histórias de famílias que migraram para o Brasil. Tema: “Protagonistas de uma história de sofrimento, coragem, fé, esperança e conquistas”. Assim, as pessoas entrevistadas são os protagonistas, é a história viva da imigração italiana. O programa tem uma parceria com a TV Serra e Jornal O Farroupilha.

Antônio Luiz Rufatto, nasceu em 06 de julho de 1943, em Farroupilha. Seus descendentes chegaram ao Brasil, vindos de Monte Grappa, na Itália, assim como outras famílias que saíram daquela região. Seu bisavô migrou para o Brasil e se estabeleceu em Conceição da Linha Feijó, no interior de Forqueta, Caxias do Sul, onde ainda existem alguns familiares. Seus descendentes logo foram se espalhando pelo Rio Grande do Sul e outros estados. Antônio tem 82 anos, segundo ele bem vividos. “Com Saúde graças a Deus, boa saúde, e pelo menos fazendo aquilo que a gente pode. Quando não dá mais, nós vamos”, disse.

Ele não soube precisar em que ano seus antepassados chegaram na Linha Feijó, mas sempre ouviu as histórias que o foco era mesmo Caxias do Sul, onde hoje tem muitas famílias de descendentes. Seu pai nasceu na Linha Feijó e deve ter tido oito irmãos, conforme escutava eles contarem. Sua avó é da família Spiandorello, ele se orgulha em dizer que é parente de Francisco Spiandorello, muito conhecido na região e que já ocupou vários cargos na política e antigo gerente da Caixa, conhecido como o Chico da Caixa. “Chico é meu parente e meu amigo”, orgulha. Apesar de seu pai ter nascido em Conceição da Linha Feijó, ele não ficou na agricultura, fez sua carreira profissional trabalhando na Viação Férrea. Seu avô foi morar no final da rua Pena de Moraes, de onde atuou como feitor por comandar a equipe de trabalho da Viação Férrea, antes de 1910.

Seu pai não ficou na Linha Feijó e foi trabalhar na Viação Férrea. Antônio nasceu em São Luiz, na região de Nova Sardenha. O local é onde hoje estão as instalações da Silvestrin Frutas, cuja casa está preservada. Antônio teve sete irmãos, mas três já faleceram, segundo ele, uma irmã reside em Florianópolis, outra em Brasília,  ele e outro irmão residem em Farroupilha. A sua esposa é da família Pergoleta, natural de Passo Fundo, casados há 55 anos.

Ambos tem três filhos, agradece muito a Deus pela família que tem. Seus filhos são Leandro, Alexandre e Olga, que hoje trabalha no Hospital Beneficente São Carlos, há mais de um ano, Luciano comercializa estandes no Sabrae de Novo Hamburgo há 30 anos, e é o diretor de todas as feiras que acontecem no setor de couro e calçados.

Recorda que seu pai trabalhava na Viação Férrea, onde ali tinha um QG. “Nós nunca passamos dificuldades, fome, esse tipo de coisa. Eu fui um privilegiado, meu Deus me privilegiou”, agradece. Conta que começou trabalhar com 14 anos de idade, quando adquiriu sua independência. Desde jovem já tinha a música como algo em sua vida e que o ajudou se tornar ainda cedo, uma pessoa independente.

Com 12 anos de idade o pai o registrou numa fábrica de sapatos em Farroupilha,  que o levou a se aposentar muito cedo, há 37 anos, mas continuou trabalhando com Calçados. Mas ele conta que antes de trabalhar com calçados, fui garçon e trabalhou em padarias na atividade de embrulhar pão. “Então eu ganhava um pouco cada tarde que ficava lá, mas isso quase 70 e poucos anos passados. Eu tive oportunidade de trabalhar numa empresa. Antes disso, em uma empresa em que eu não estava nem registrado”, recorda.

Recorda que no local em frente ao posto de saúde, na rua 13 de maio, estava alojada a Associação dos Fabricantes de Calçados de Farroupilha, a qual o primeiro presidente foi o Antônio Signori, mas que já é falecido. O segundo foi o ex-prefeito Clovis Zanfeliz, também falecido. Antônio foi o terceiro presidente da Associação, que mais tarde foi transformada em sindicato na sua gestão. Ele agradece Ivorí Maggioli, que era seu colega de música, e também o seu Paulo Bellini, falecido. Paulo Bellini era muito amigo do Ivorí. “Nós tínhamos um relacionamento muito bom e o Jorge Shebe era o presidente do Sindicato de Caxias e eu não queria liberar a carta para nós recebermos algum valor dos associados”, conta.

Na época eram 65 empresas de calçado em Farroupilha. “Eu diria o seguinte, se você fosse  fazer uma comparação, assim simples, a época do calçado em Farroupilha, era o que é hoje na área da malha. Exatamente isso, com as mesmas pessoas, com um poder econômico, outros começando, outros trabalhando aí”, compara. Ele conta que eram em torno de 65 empresas de calçados,  em Farroupilha, que buscavam mão-de-obra até 60 quilômetros de distância.

Ele conta que teve ajuda do já falecido Maggioli, que subsidiava para poder buscar essas pessoas de fora. “Nós íamos de Nova Prata a Salvador do Sul, buscar gente para trabalhar, hoje eu não sei se faria isso, tirar da agricultura, porque o jovem estava ansioso para sair da agricultura, porque estava muito difícil. Então, eles vieram para a cidade onde tinham o seu salário, plano de saúde, tudo isso que a gente proporcionava aos trabalhadores”, recorda.

Fenakiwi

Antônio tem grande participação na Fenakiwi, muito passou pelas suas mãos até chegar  a 25ª Edição. Das 25 Feiras, seis foram com a presidência de Antônio Luiz Rufatto. “Sim, eu tenho uma gratidão enorme aí, pelo ex-prefeito Paulo Dalsóchio, que no momento difícil e quando vimos encerradas atividades no passado, ele me nomeou secretário de Turismo que foi criado naquela época. Mas, sinceramente, eu não tinha muita cabeça pra me envolver em política, mas cumpri minha obrigação. Antônio assume a presidência na quinta Fenakiwi, em 1995.

Após esse período a Fenakiwi foi profissionalizada e sofreu algumas modificações, quando foi contratada a empresa do seu filho, que trabalhava na Feira de Calçados. Para ele com a mudança do processo com a chegada das redes sociais está mais fácil fazer o evento atualmente.  Lembra que na sua época grande parte das atividades, no parque da Fenakiwi, eram feitas com o piso de brita, mas opina que hoje está tudo moderno e a feira foi melhorando a cada edição.  “Hoje a Feira é conhecida praticamente em todo o Brasil, olha, eu diria que a gente se impenhou, mas sempre tem alguma falha, mas isso a gente foi corrigindo”, garante

Antônio sempre esteve envolvido na Fenakiwi, na empresa de calçados, Sindicato da Indústria do Calçado de Farroupilha, Federação das Indústrias de Calçados. Foi proprietário da Sabry S/A. Secretário da Indústria, Comércio e Serviços. Presidente da Fenakiwi em 1995, 1996, 2004, 2005, 2006 e 2007. Distinção industrial de Farroupilha em 1983 e destaque empresarial de Farroupilha em 1988.

Entre tantas atividades em benefício de Farroupilha, Antôn io foi Relações Humanas do trabalho no Senai, melhoramento de métodos de trabalho no Senai, reciclagem para Executivos, técnico de planejamento e direção de negócios – Instituto Superior de Desenvolvimento empresarial, jornada de estudos sobre doutrina social cristã – ADCE, seminário de técnicas de produção – just – in – time – imam. Empresa de calçados Seara – menor aprendiz, 1958. Egger Nervo e Cia Ltda, serviços gerais 1957 a 1964. Calçados Sabry Ltda, gerente 1964 a 1987.

 

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