Aqui é Meu Lar nesse sábado conta a história da agricultora Aninha Tumelero Anselmi na Capela São Luiz
A Miriam Caravaggio 95.7 FM, veicula neste sábado, 10, o décimo primeiro programa “Aqui é Meu Lar”, com o tema “Essas Mulheres”, que trata do protagonismo feminino na agricultura e aborda o trabalho da mulher no interior, com sua visão empreendedora, capacidade de gestão, as dificuldades e os avanços diante de uma sociedade conservadora e preconceituosa. O destaque da entrevista dessa edição é Aninha Tumelero Anselmi, moradora da Capela São Luiz, 2º Distrito de Farroupilha. Uma dona de casa e agricultura por excelência.
Aninha nasceu na Linha República, há cerca de 13 quilômetros de onde mora hoje. Toda sua infância e juventude foram desenvolvidas na comunidade juntamente com seus cinco irmãos. Era uma época muito difícil para os agricultores, principalmente para aqueles que tinham a intenção de estudar, a escola era longe e não havia alternativa de transporte a não ser se deslocar a pé. Ela estudou as primeiras séries na comunidade de Santa Cruz, na Linha Jacinto em Pinto Bandeira, mas não foi adiante por falta de condições de ir à cidade estudar. A necessidade de sobrevivência fez com que seu pai fosse trabalhar como pedreiro na região, enquanto ela juntamente com seus irmãos cuidava da roça, no plantio de uva, trigo e milho.
Ela conheceu seu Ângelo Anselmi, há 48 anos, na Linha República. Por coincidência ou por acaso, foi justamente em um baile pós-casamento. Era tradição na época os pais convidarem os vizinhos e amigos para o matrimônio dos filhos e depois os demais integrantes da família, para o baile. Foi nesta ocasião que o cupido colocou Aninha e Ângelo frente a frente para uma sólida história de amor e cumplicidade. O namoro foi selado cerca de três meses depois, por serem ainda jovens, havia a necessidade de se conhecerem mais, como os pais de Aninha já tinham boa relação com os familiares de Ângelo, se tornou mais fácil a aproximação dos jovens namorados. A mãe deu segurança à filha e autorizou o namoro, cujas referências eram de que se tratava de “bom rapaz”, vinha de uma família de “gente boa”. Dois anos após, o casal decidiu sacramentar o sentimento de amor e aumentar a família de Ângelo, que a levou para morar na mesma casa, junto com os pais e irmãos, um costume da época.
As dificuldades foram aparecendo no início da vida a dois, veio a primeira filha, Sirlei, três anos depois o Fabiano e por último o Cristiano. Ela conta que naquela época o casal teve que lutar muito, ela levava a filha ainda criança na roça, porque não tinha com quem ficar em casa. A atividade era totalmente braçal e manual. Ela lembra que seus primeiros filhos, Sirlei e Fabiano, com cinco anos de idade ajudavam puxar as mangueiras para irrigar o parreiral. Ângelo e Aninha cultivavam somente uva naquela época e mantinham algumas vacas para extrair o leite para o sustento da família. Ela não conseguiu estudar, mas sempre incentivou os filhos a buscarem conhecimentos acadêmicos, mas mesmo com insistência, somente Cristiano seguiu os desejos dos pais e se formou em Agronomia na Universidade de Caxias do Sul. Os demais filhos seguiram o caminha da agricultura. Todavia, Aninha e Ângelo não tem o que reclamar e se orgulham dos três filhos, dedicados à as atividades que escolheram e muito zelosos com os pais. O marido para ela é um homem trabalhador, companheiro e tem muito amor à família.
Cristiano segue ajudando os pais e colocando em prática o que aprendeu no curso de Agronomia. Sirlei casou-se e seguiu a atividade agrícola em uma propriedade próxima. Fabiano até pouco tempo morava ao lado dos pais, mas se transferiu para Cambará do Sul, administrar a fazenda de um tio. Em casa com os pais, o filho caçula ajuda no cultivo da uva, pêssego, laranja e agora com o plantio de kiwi, a partir de novos projetos desenvolvidos pela Silvestrin Frutas, com o apoio técnico. São 17 hectares de uva, 2,5 de pêssego, 1,5 laranja e um de kiwi. Na última safra a produção de uva chegou perto de 300 toneladas, entre as variedades de uva para vinho, suco e espumante, como a isabel, bordô, magna, Uva BRS carmem e rúbia. Nas viníferas cultiva-se o teroldego, moscato e está sendo plantada a variedade moscato giallo para espumante. A safra é entregue na Cooperativa Aurora e em Erechim para a produção de vinagre, além de outras alternativas com clientes menores.
O agrônomo da família comemora a chegada do maquinário e da tecnologia na agricultura, que veio para retirar dos agricultores o peso do trabalho braçal e ampliar a área de plantio com menos serviço. Cristiano é formado em Agronomia desde 2014, trabalhou cinco anos na Vinícola Aurora, mas há dois anos decidiu voltar para casa trabalhar com os pais e administrar uma consultoria agrícola, que atende outros agricultores. Ele acredita que o grande desafio para o setor é produzir mais com menos custos, optando pelo manejo e naquilo que é possível economizar. O suporte a esses produtores vem a partir de suas experiências na propriedade, onde utiliza métodos modernos que existem hoje no mercado.
Utilizando recursos da própria natureza, Cristiano está conseguindo produzir mais e gastar menos, nos itens de defensivos e fertilizantes. Ele desenvolve uma tecnologia chamada de Sistema Crops, que é um processo de monitoramento de doenças, que ele ajudou desenvolver dentro da Aurora em parceria com a Embrapa e agora implantou em sua propriedade. Em dois meses de experiência com a tecnologia, já conseguiu diminuir em três aplicações de defensivos na propriedade. “Agente consegue reduzir a carga dos defensivos, garantir que a produção seja satisfatória no final, sem doenças. A gente consegue, também, ter a qualidade que quer. O agrotóxico de alguma forma nos ajuda, precisamos produzir, mas precisa saber utilizar o agrotóxico de forma adequada que não traga prejuízos à nossa saúde como produtor. É um agrotóxico, se agente não se cuidar vai se contaminar, vai ter problemas também para o consumidor, se a gente não respeitar as carências e as doses que são determinadas na bula. A gente tem que ter esse cuidado de transmitir as informações corretas, os produtores precisam fazer o manuseio correto para que ninguém tenha problemas ali na frente”, assegura.
O jovem agrônomo foi incumbido de administrar a propriedade enquanto dona Aninha e seu Ângelo junto com os funcionários executam as atividades. Com isso, ele tem mais tempo para administrar e prestar serviços à outros agricultores através de sua empresa de consultoria. No entanto, ressalta sobre um detalhe que não pode passar sem ser observado e que comprova a presença da mulher na agricultura, nas mais diversas atividades. Fala de dona Aninha, que segundo ele é quem realmente administra a propriedade. “Ela toca a vida de todos aqui. Ela cuida bem da casa e é a ponteira na roça, quem puxa todo mundo para frente. Inclusive meu pai é puxado pela minha mãe, Ela é uma pessoa que a gente admira, porque sempre puxa todo mundo para frente. É um exemplo que nós temos para nossa família, de que a gente nunca deve desistir e puxar os outros na vida, em tudo”, aconselha. Quanto a ficar ajudando os pais apesar de ter cursado uma faculdade, ele diz que é desafiador, pois existe uma história da família e não dá para deixar apagar. Para ele o fato de ter estudado ajuda a entender todos os pontos que precisam melhorar e o que tem de bom para ser preservado.
Chegou a hora de descansar, Aninha trabalhou muito na roça e atualmente diminuiu a carga horária para ficar em casa curtir mais a vida. “Que nem eu disse, anos atrás o trabalho era tudo eu que batalhava, agora como entreguei tudo para o Cristiano, fica tudo mais fácil. Hoje é tudo mais fácil desde trabalhar com o banco, tem celular é tudo mais fácil, antigamente não se tinha nem telefone, hoje tem”, comemora. Ela lembra que apesar das dificuldades o casal sempre esteve junto. Na época seu cunhado lhe falou: estamos saindo da colônia e vou te deixar aqui um caderno e você vai começar administrar aqui. “Ele disse, você vai começar a fazer as coisas aqui. Então eu comecei e sempre foi com as dificuldades todas, agente não diz que sempre foi sem por sem, mas fomos indo e hoje é tudo mais fácil“, conclui.
Da sua experiência de vida ela entende que a família precisa trabalhar, se respeitar e ter dignidade sempre. “Eu gosto de trabalhar, sempre com muito amor e dedicação respeitando a minha família, meus funcionários. Eu sempre digo que todos somos uma família. Quando a gente está junto não tem diferença só porque são funcionários, eu sempre respeito à todos. São mais de 40 anos que agente trabalha com famílias e eu sempre me dei bem com todos. Por isso que eu digo sempre, tem que ter respeito e se tem alguma coisa tem que se perdoar e seguir a diante”, recomenda.
AQUI É MEU LAR
É um projeto da Miriam Caravaggio 95.7 FM, que propõe aproximar ainda mais a emissora do interior de Farroupilha. Constitui-se em uma proposta específica que envolve esses moradores, com abrangência no município. “Aqui é Meu Lar”, visa discutir a sucessão rural, o protagonismo feminino na agricultura, as condições dos nossos agricultores, envolvimento com as comunidades, o cooperativismo e as políticas públicas e seus direitos.
O programa está em sua quarta edição e é veiculado nos meses de outubro, novembro e dezembro, aos sábados, às 10 horas, na sintonia 95.7 FM, site e aplicativo. A produção e captação do conteúdo, imagens, áudios e vídeos, incluem uma peregrinação semanal pelo interior para conversar com as famílias. Cada ano é definido um tema, em 2019 “Sucessão Rural”, 2020 “O envolvimento das famílias com as comunidades do Interior”, 2021 “Cooperativados: uma relação mútua” e 2022 “O protagonismo feminino na agricultura. Essas Mulheres”.
Confira as fotos da propriedade de Aninha Tumelero Anselmi:
Aninha faz o convite para acompanhar o programa:
OUÇA O PROGRAMA COMPLETO – 10/12/2022
PATROCINADORES
IMOBILIÁRIA HELENA IMÓVEIS – onde você encontra os melhores imóveis da cidade. Rua Júlio de Castilhos, 478. Telefone (54) 3412 2220 ou 99972 6972.
INF LATINO AMERICANA – atua nas indústrias de álcool de combustíveis e potável, açúcar, cerveja, sucos e nutrição através da Kera. Telefone (54) 2521 3124.
LIVRARIA E PAPELARIA PARANÁ – livros, brinquedos, material de escritório e tudo em material escolar. Rua Júlio de Castilhos, 734, em Farroupilha. Telefone 3261 3667.
COOPERVIL – completa linha de insumos e defensivos agrícolas para a agricultura com orientação técnica. Rua Egídio Zamboni, 277. Telefone 3268 9373.
COSTI COMÉRCIO DE TINTAS – tradição e qualidade em tintas. Rua Júlio de Castilhos, 593, em Farroupilha. Telefone 3268 3681
COOPERATIVA NOVA ALIANÇA – da terra com amor da nossa gente.
Fotos e vídeo: Gleici Trois



































