Audiência pública conjunta debate crise na cadeia do alho em São Marcos

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizará, na próxima segunda-feira (15), às 18h, no auditório da Prefeitura de São Marcos, uma audiência pública para debater a grave situação enfrentada pela cadeia produtiva do alho no Estado. A iniciativa é dos deputados estaduais Elton Weber (PSD) e Marcus Vinícius (PP), atendendo à solicitação da Associação Gaúcha dos Produtores de Alho (AGAPA), que demonstra preocupação com o avanço da crise gerada pela concorrência desleal de importações da Argentina e China. Atualmente, 400 famílias produzem no Estado, contra 2,5 mil no auge da atividade. A AGAPA é presidida pela Engenheira Agrônoma Franchielli Motter, que vem mobilizando a categoria para que tanto a Assembleia Legislativa gaúcha, quanto o Congresso Nacional encontrem uma forma de o governo federal dar uma solução urgente para a crise do setor.

A audiência será promovida conjuntamente pelas Comissões de Economia, Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, de Assuntos Municipais e de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo. O objetivo é reunir produtores, lideranças, entidades representativas e governos para discutir os fatores que têm provocado a desestruturação da cadeia produtiva, especialmente a concorrência internacional e a forte pressão sobre os preços no mercado interno.

Entre os principais impactos estão o enxugamento da produção, a redução da renda das famílias produtoras, a perda de empregos no campo e o enfraquecimento da sucessão familiar. A queda dos preços também compromete a capacidade de pagamento, o capital de giro e a sustentabilidade financeira das propriedades. Dados apresentados pelo setor apontam ainda indícios históricos de prática de dumping, com o alho importado chegando ao mercado brasileiro abaixo do custo médio de produção em países exportadores, o que reforça a necessidade de medidas de proteção.

A crise em números no Sul do Brasil:

Em 1992, o Sul do Brasil possuía cerca de 6.500 famílias produtoras de alho.
Em 2026, esse número não ultrapassa 1.200 famílias.
No mesmo período, a redução da área cultivada é igualmente alarmante:
O recuo foi de 8 mil hectares para 1,3 mil hectares, retração de 83,75%

Áudio: Franchielli Motter