Setembro Amarelo: precisamos falar sobre Saúde Mental

Desde 2013 a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) inseriu no calendário nacional uma das maiores campanhas mundiais, sendo que em 2015 outras entidades, em parceria com a ABP, se envolveram nesse movimento e passaram a divulgar com maior ênfase o “Setembro Amarelo”. Para aqueles que ainda não conhecem, essa campanha se propõe a desenvolver ações que visam a prevenção ao suicídio.

Esse ano, o lema da campanha é “Se precisar, peça ajuda!” e, motivada também por isso, a EloPsi – Associação de Psicólogos de Farroupilha está engajada nesta campanha. O principal objetivo de se envolver com esse movimento é esclarecer dúvidas, desmistificar preconceitos e falar sobre saúde mental com a comunidade farroupilhense, pois, acreditem, esse é um assunto que ainda precisamos (e muito) falar sobre ele.

Tão importante é, que o que estamos constatando é um aumento considerável do número de casos de depressão e pessoas com quadros de ansiedade e outros transtornos mentais, especialmente neste período pós-pandêmico. Estamos recomeçando depois de um longo tempo em que o isolamento social foi necessário para o controle de uma doença, mas que também, para nós, seres gregários, gerou considerável prejuízo no que diz respeito a nossa vida afetiva e emocional. Além disso, foram tempos em que muitas perdas foram vividas, nos deixando enlutados de inúmeras maneiras. Ou seja, voltamos a conviver, mas agora com maior probabilidade de estarmos entre pessoas mais tristes, mais deprimidas e mais ansiosas.

Outro aspecto que é possível observar, se refere ao fato de que o distanciamento compulsório e o afastamento das pessoas e da nossa rotina de encontros, colaborou também para a perda das habilidades em lidarmos com as diferenças, tarefa que desenvolvemos quando estamos convivendo com os colegas da escola, trabalhando em equipes variadas, frequentando espaços sociais e, por consequência, aprendendo com a diversidade. Impedidos de vivenciar presencialmente esse intercâmbio de experiências, o que percebemos é que nossa capacidade de conviver e tolerar fica prejudicada e, portanto, corremos maior risco de sermos menos compassivos e acolhedores com aqueles que sofrem, afetando nossa compreensão diante do que não concordamos ou desconhecemos.

Por tudo isso, durante o mês de setembro, falaremos sobre saúde mental, por meio de textos que nossas associadas e associados, todos psicólogos, escreverão. Iniciamos, deixando aqui a mensagem de que precisamos ser mais sensíveis a dor do outro, estimular a solidariedade, o acolhimento, respeito e, se possível, o amor ao próximo. Sofrimento não é bobagem, não é “mimimi”, nem falta do que fazer. Sofrer faz parte da condição humana, mas não é preciso sofrer sozinho, se sentir sem saída ou desistir da vida. Buscar ajuda especializada e contar com uma rede de apoio solidária e empática, são alternativas que nos levam a acreditar que viver, apesar de nossas dores e dificuldades, sempre será a melhor escolha. Se precisar, peça ajuda! Estaremos aqui.

Confira a entrevista feita com a psicóloga Rejane Comim, no Programa Miriam Comunidade, na Rádio Miriam Caravaggio 95.7FM