Saúde mental no trabalho: por que sua empresa deve se importar?

O trabalho desempenha um papel significativo em nossa saúde mental e bem-estar. Ele não é apenas uma fonte de sustento financeiro, mas também uma parte importante de nossa identidade e propósito na vida. Sigmund Freud, o fundador da psicanálise, resumia a saúde mental na capacidade de amar e trabalhar. Ter um propósito diário, interagir com colegas e contribuir para alcançar objetivos comuns pode melhorar a autoestima e saúde mental. Além disto, o trabalho nos fornece um lugar de controle e segurança diante da realidade, bem como a sensação de pertencimento.

No entanto, é importante reconhecer que o trabalho também pode ser uma fonte de sofrimento psicológico. E isso não é novidade, ainda em 1936 o filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, já denunciava abertamente a alienação do trabalhador frente às condições precárias de trabalho. A pressão excessiva, longas horas de trabalho, falta de feedbacks e de reconhecimento, ambientes tóxicos e a falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional podem causar estresse, ansiedade e até mesmo levar a problemas de saúde mental, como a síndrome de burnout ou depressão.

Passado quase um século da obra de Chaplin, muito se evoluiu em direitos dos trabalhadores e em programas de gestão de pessoas. Mas o fato é que os Tempos Modernos se tornaram em Tempos Pós-Modernos, quando emerge um novo contexto caracterizado por ser Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível, o mundo BANI, descrito pelo futurista Umair Haque, como o ambiente em constante mudança e incerteza em que vivemos hoje. Esse novo contexto oferece ansiedade e estresse, indiscriminadamente, a trabalhadores e não-trabalhadores. As pessoas nunca tiveram antes tantas facilidades e tecnologias, assim como nunca se sentiram tão sobrecarregadas e cansadas. A dependência de redes sociais e o excesso de acesso à informação, especialmente em relação a tragédias, contribuem nesta complexa fórmula para o sentimento de mal estar na cultura em que vivemos. E assim, as empresas percebem ano após ano a curva crescente do número de colaboradores ansiosos, esgotados, deprimidos e estressados e os reflexos destes efeitos no ambiente de trabalho. Essa nova e imperativa realidade implica um novo posicionamento das organizações: o papel colaborativo do cuidado!

Além disto, é necessário garantir que o trabalho seja impulsionador de bem-estar ao invés de sofrimento. Isso envolve criar ambientes de trabalho que valorizem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, promovam a saúde mental e incentivem o apoio mútuo entre os funcionários.

Empresas interessadas em fomentar uma cultura de bem-estar desenvolvem suas lideranças para oferecer segurança psicológica a suas equipes, ao final das contas, você já deve ter ouvido a frase “as pessoas se demitem de seus chefes e não de suas empresas”. E de fato, a maioria das pesquisas aponta que ao menos metade dos pedidos de demissão são em decorrência de queixas em relação ao seu gestor direto e do desgaste psíquico oriundo desta relação.

Neste sentido, promover uma atmosfera de respeito, comunicação aberta e apoio entre as pessoas pode criar um ambiente de trabalho onde os indivíduos se sintam valorizados e ouvidos, reduzindo índices de turnover, presenteísmo, absenteísmo e até mesmo de acidentes de trabalho. Ao priorizar o bem-estar dos colaboradores, as organizações não apenas ajudam cuidar da saúde mental de seus membros, mas também criam equipes mais produtivas e comprometidas.

Pessoas saudáveis e felizes tendem a ser mais motivadas, criativas e resilientes, construindo soluções com maior assertividade, promovendo inovação e contribuindo para o sucesso a longo prazo da organização. Portanto, promover uma cultura de bem-estar nas organizações é essencial não apenas para a saúde mental dos indivíduos, mas também para a prosperidade das empresas.

Confira a entrevista no Programa Miriam Caravaggio na Rádio Miriam Caravaggio 95.7FM