Aqui é Meu Lar conta a história da família Maggioni que trabalha unida na produção de frutas em Caravagetto
A Miriam Caravaggio 95.7 FM, veicula neste sábado dia 11 de novembro de 2023, o sétimo programa “Aqui é Meu Lar”, com o tema “Pés no interior, olhos na cidade. Volta às origens” O tema aborda pessoas que vivem no interior e estudam na cidade, ou que por muito tempo tiveram uma vida urbana e decidiram ir para o interior produzir, nascidos, ou não no interior. O destaque para a família Maggioni, moradora da Capela Nossa Senhora do Caravaggio, Caravagetto (4º Distrito de Farroupilha). Uma família que trabalha unida e transformou a propriedade em uma verdadeira cooperativa, compartilhando entre eles o fruto do trabalho na agricultura.
Em uma área de 92 hectares os Maggioni, ocupam 42 hectares para a plantação de uva, pêssego, bergamota e laranja. Dessa gleba, 11 hectares é para produção de uva, que rende uma média de 200 toneladas ao ano, das variedades Niágara Rosa, Moscato, Vênus e Carmem. Mais de 80% da Niágara é vendida in natura para o mercado de Florianópolis, a Moscato é recebida pela Cooperativa Garibaldi. Já o pêssego ocupa cerca de 16 hectares que produz em média, 250 toneladas da fruta. A bergamota e a laranja ainda não podem ser considerada produção comercial, pois é plantação nova, a bergamota teve seu processo de produção prejudicada devido ao aparecimento de uma praga (broca), mas já foi erradicada e o pomar já está em condições de retornar à produção. A família planeja ampliar a plantação de frutas em uma área próxima no cultivo de kivi.
Giovani Augusto Maggioni, tem 62 anos, um dos integrantes do grupo da família que trabalha na propriedade. Seu dia-a-dia é ajudar na plantação incluindo diversas atividades. Ele diz ser apaixonado pela agricultura e não pensa mais em sair de Caravagetto. No início dos anos 80 ele experimentou o trabalho na cidade em uma fábrica de calçados, em Farroupilha, mas depois de dois anos optou por retornar por não se adaptar à vida urbana.
Marcos Antônio Maggioni é casado com Jucemara Maria Pola Maggioni com quem tem dois filhos, Mateus e Alexandre. Em 1981 foi morar em Porto Alegre para estudar Geologia, mas mais tarde migrou para a Engenharia Civil, isso até 1985, quando voltou para Farroupilha, mas seguiu trabalhando na cidade até final de 1988. Marcos deixa a cidade definitivamente e retorna para Caravagetto, onde hoje com os filhos, irmãos, esposa, sobrinhos e a mãe, segue trabalhando. “Eu amo essa terra aqui, não tem como ficar longe”, confessa.
Letícia Maggioni, tem 22 anos e trabalha com a família, tios, mãe, primos e a nona Maria. A maior parte de seu trabalho não acontece nos parreirais, mas nas atividades domésticas, já que são muitas pessoas no grupo e esse setor da propriedade exige muito trabalho. Ela também é professora de Yoga e uma vez por semana trabalha na cidade de Farroupilha. Letícia não está bem decidida qual será seu futuro, mas revela que sempre gostou de estudar e por isso foi fazer um curso de professora e acabou sendo instrutora de Yoga.
Rodrigo Maggioni tem 26 anos e é formando em Agronomia pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e não pensa em deixar a agricultura. Seu propósito é permanecer e empreender em novas variedades, pois planeja produzir kivi, em outra terra fora de Caravagetto. Ele comemora os conhecimentos que adquire na faculdade, pois consegue conciliar sua experiência como agricultor à teoria acadêmica, principalmente na análise de solo, adubação e tratamento. “Vale apena fazer, no teórico às vezes tu não vê, mas na prática você consegue enxergar”, entende. Rodrigo está apostando no novo empreendimento que será a plantação de kivi e uvas finas na nova terra adquirida, nas proximidades de Caravagetto. Ele explica que em Caravagetto, as variedades precisam ser precoces por causa do pouco frio, como a região possui elevadas áreas íngremes, o custo da produção é alto. Porém, com a produção de espécimes precoces, ou seja, fora de época, o valor é mais alto no momento de comercializar o que acaba equilibrando o custo.
Jucélia Amélia Pola Maggioni perdeu o marido, Moacir Maggioni, há cerca de dois anos, com quem tem três filhos, Lucas, Rodrigo e Letícia. Ela reside na propriedade desde que se casou, há 27 anos. Ela nasceu na mesma comunidade há cerca de três quilômetros de onde mora. Junto com os demais membros da família, defende a diversificação da produção, como uma questão de segurança, pois a variedade pode evitar o risco de ficar sem recursos, caso ocorram problemas de intempéries. Avalia que com a diversidade é possível garantir uma colheita a cada seis meses.
Ela conta que começou a ajudar na roça desde os 10 anos junto aos pais, confessa que gosta do que faz, pois não saberia fazer outra coisa, que não seja trabalhar na agricultura. Ela diz que para trabalhar nesta atividade tem de gostar. “Na agricultura não é fácil, mas quem gosta, com amor e paciência é possível continuar ali insistindo”, aconselha. Comemora o fato de ter seus filhos e familiares juntos. “Trabalhando juntos, a gente senta para almoçar, todos juntos né, isso não tem preço”, agradece.
Jucemara Maria Pola Maggioni é casada com Marcos e no momento por questões de saúde, tem sua atividade limitada no pomar. Ela contribui nos afazeres domésticos, com a sogra e Jucélia, sua irmã. São dois irmãos casados com duas irmãs. Marcos Maggioni casado com Jucemara e Moacir Maggioni (in memoriam), foi casado com Jucélia. Jucemara é mãe do Alexandre, 22 anos e Mateus com 18, que também trabalham na propriedade. Jucemara nasceu na mesma comunidade há cerca de três quilômetros de distância, foi em Caravagetto que conheceu Marcos. Segundo ela, ele se aproximou depois de ter feito uma aposta com os amigos, que a namoraria, isso há 26 anos.
Maria Ana Maggioni, tem 86 anos, é a nona, mãe de seis filhos, além de Giovani, Marcos, Moacir (in memoriam), ela tem uma filha que trabalha na prefeitura em Caxias e Suzana Maggioni Bertuol, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Farroupilha (Sintrafar) e Mário Maggioni, juiz da Comarca de Farroupilha. Com as noras e neta ela se divide em algumas horas na horta e na cozinha para fazer a comida, porque a família é grande e a mesa fica lotada no momento das refeições. Nos finais de semana e feriados, a casa de dona Maria enche mais ainda, com os netos e demais filhos. A cozinha precisa de muito trabalho para colocar a comida na mesa e servir à todos, mas dona Maria, não reclama, pelo contrário, comemora esse privilégio e diz que se sente muito feliz com tudo isso.
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