“Eu só pensava que queria ficar viva” relata moradora de Caravagetto no forte temporal que atingiu a localidade

Na véspera de Natal, um forte temporal atingiu o interior de Farroupilha, causando prejuízos significativos aos moradores da Linha Caravagetto. A força do vento destelhou casas, danificou propriedades e arruinou produções de uva, uma das principais fontes de renda da região.

Famílias como os Moretti, Buratti e Correa, Rezzadori e Maggioni foram diretamente impactadas. Saulo Correa, morador e produtor da localidade, comenta que estava com a família reunida para a ceia de Natal e foi surpreendido pelo fenômeno climático:

Começou trovejando e barulhando, como se fosse um temporal normal, mas acabou que, em pouco tempo, começou mais e mais. Começou a chover, e aí nos recolhemos dentro de casa, fechamos os pavilhões, e nisso veio pedra e vento. Não dá pra dizer que foi um temporal, dá pra dizer que foi um tufão, porque, assim, o vento arrodeou e mexeu com tudo. Em questão de 10/15 minutos, terminou com tudo: parreiral e plantas em cima do pavilhão.”

A família Rezzadori, de Décio Rezzadori, também morador e produtor local, comentou que, em 57 anos de vida, nunca tinha visto algo assim:

Era pra ser uma chuva normal, começou a trovejar e formou uma nuvem grande e forte, e aí começou vento e chuva de pedra, coisa que, em 57 anos, eu nunca vi na vida.” O produtor relata que perdeu praticamente toda a sua produção: “O que eu tinha pra colher, perdi tudo: o caqui, o milho, a uva. A bergamota está fina e não sei se vai dar pra colher.”

Para Jussemara Maggioni, que teve parte do telhado de sua casa arrancado pelo vento, a destruição poderia ter sido maior se o fenômeno tivesse durado mais:

Pelo estrago que deu, deve ter sido um redemoinho, algo assim, pois as plantas ficaram todas retorcidas, e o fato de ter levado os telhados… levou até a chaminé embora, foi levando tudo que tinha pela frente. Parou porque foram poucos minutos; se não, levava embora todo o telhado. Muita chuva, muita pedra. Até meu guri estava dentro de casa e ele disse: ‘Eu vi que o telhado levantou e começou a descer pedra.’”

Ela ainda comenta que a safra foi totalmente perdida: “Perca total, mas a gente está bem, está com vida e vamos lutar novamente.” Apesar disso, o sentimento foi de muito medo:

Eu só pensava que queria ficar viva. Tu vê aí tudo andando, as pessoas ao seu redor estão bem. A gente, que estava se vendo no porão, víamos que estávamos bem, que a estrutura da casa não iria cair. Mas e quem estava no galpão, quem estava fora? Começou a bater o medo, comecei a rezar e disse: ‘Senhor, salva nós e o resto a gente vê.’”

A produção agrícola, base da economia local, já havia sofrido grandes impactos nas enchentes de maio, quando a região enfrentou quedas de barreiras, deslizamentos e cheias no arroio que passa pela localidade.

Confira a entrevista com Saulo Correa:

Confira a entrevista com Décio Rezzadori

Confira a entrevista com Jussemara Maggioni

Confira a galeria de fotos:

Créditos: William Bertuol